sábado, 5 de março de 2016

WTF?! Momentos mais loucos das séries de TV

  As séries de TV vivem em um meio-termo entre o cinema e as telenovelas, almejando a estética do cinema, mas prezando por manter os índices de audiência. Talvez não seja por esta razão (mas, na maioria das vezes, é), as séries nos fornecem os famosos plot twists (mudanças bruscas de enredo) e cenas muito malucas para você pensar dafuq? (Eu vou um pouco mais longe nas gírias, foi mal). Aquelas cenas que acontecem quando você estava assistindo a série tranquilamente e, de repente, *o que é isso que está acontecendo?*. Antes de tudo, alerta SPOILER!! caso você não queira saber nada do que acontece em uma série antes de assistir, mas muitas das cenas aqui não influenciam (tanto) o enredo principal das suas histórias (quando a cena for muito relevante ou um plot twist eu aviso de novo). Também se prepare para cenas nojentinhas, aqui vai:

1. Skyler entra na piscina - Breaking Bad


  
  No quarto episódio da quinta temporada, intitulado Fifty-one, Skyler começa a realmente entender quem o seu marido é e o horror de todas as coisas com as quais ele se envolveu. Assim, em um jantar com a família à noite perto da piscina, ela simplesmente entra na piscina totalmente vestida e fica lá embaixo por alguns segundos, como se fosse se afogar, até ser resgatada por Walt. Após este evento, Marie e Hank, irmã e cunhado de Skyler respectivamente, concluem que ela teve algum tipo de ataque psicótico, sem entender a causa, que só Walt sabe.

2. Ménage em House of Cards


  No décimo primeiro episódio da segunda temporada de House of Cards, em o que parecia ser um momento completamente comum na série, Frank e Claire relaxando em casa à noite (assim como você, assistindo a série depois de um dia na universidade ou no trabalho). O casal Underwood convida o segurança pessoal deles, Edward Meechum,  para uns vinhos e, uma coisa levou a outra, Meechum e Frank se beijam na frente de Claire e ela se junta a eles depois. A cena foi apelidado de Threechum (em inglês, eles chamam o ménage a trois de threesome, ou seja, threesome + Meechum) e surpreendeu por levar os espectadores a questionarem a razão do casal ter feito isto, eles foram descuidados? Era uma estratégia para conquistarem a lealdade de Meechum? Alguns acreditam que a cena nem aconteceu de verdade, pois Frank tinha tomado um comprimido antes de chegar em casa, o que o teria feito alucinar este cena, mas em nenhum momento fica claro se aconteceu ou não.

3. Frank urina no túmulo do seu pai 


  Na primeira cena da terceira temporada de House of Cards, Frank, que acaba de se tornar presidente, visita o túmulo do seu pai e até leva flores, mas logo explica para o expectador (isso acontece muito na série) que só está fazendo isto para passar uma imagem humana de si e logo depois urina na lápide do seu pai. Sem mais delongas, foi exatamente isto que aconteceu. 

4. Daenerys come um coração cru 


  No sexto episódio da primeira temporada de Game of Thrones, nós já começamos a ver a transformação de Daenerys, da menina que foi forçado a se casar com o líder de um povo bárbaro, chamados dothraki, a uma mulher que começa a ganhar poder e respeito. Ao começar a se habituar a sua nova cultura, ela come um coração de cavalo cru, que para os dothtaki significa um ritual de fertilidade.

5.  [ SPOILER] Melisandre dá à luz a uma sombra assassina 


  No final do quarto episódio da segunda temporada de Game of Thrones, Melisandre, que havia prometido dar a Stannis Baratheon um herdeiro, dá à luz a uma sombra (o que soa muito engraçado) que assassina Renly Baratheon, irmão de Stannis que lutava pelo trono contra seu irmão (e vários outros personagens da série). Até o atual momento da trama, o que era realmente aquela sombra não foi especificado, porém, podemos esperar que o futuro da série nos mostre um pouco mais sobre a religião de Melisandre, que segundo ela é o que proporciona estes acontecimentos.

6.  [SPOILER] Black Jack deseja Jamie


  Esta série, que ainda não é muito conhecida, mas promete ser uma nova Game of Thrones, se chama Outlander e é baseada em uma série de best-sellers da escritora Diana Gabaldon. Resumindo o enredo, é a história de uma moça que viaja no tempo e vai para o ano de 1745, a história se passa na Escócia, que no século XVIII estava sempre em guerra com a Inglaterra, e o interesse romântico (Jamie) da personagem principal é perseguido por um oficial inglês (Black Jack), que é o grande antagonista da história. Após descobrirmos que Jamie foi flagelado por Black Jack duas vezes por ter se rebelado contra os ingleses, nós descobrimos que Black Jack ofereceu um acordo com Jamie de não flagelá-lo por uma segunda vez se ele "se entregasse" ao oficial inglês. Descobrir que o grande vilão da história, na verdade, desejava o mocinho foi um grande  plot twist que ainda causou muitos acontecimentos chocantes na primeira temporada da série.

7. Sanduíche de absorvente


  No primeiro episódio de Orange is The new Black, Piper, personagem principal cuja trajetória na prisão estamos acompanhando (apesar do destaque dado às outras personagens) tem dificuldade em se adaptar à prisão e ao convívio com as outras presidiárias. Ela comete o erro de ofender a detenta responsável pelas refeições e ganha uma surpresa desagradável. 

8. Crazy Eyes urina no chão


  O começo de Piper na prisão realmente não foi fácil, além do episódio com o sanduíche, Piper teve de lidar com uma detenta que se dizia apaixonada por ela, a personagem que se tornaria uma das prediletas do público, Crazy Eyes (interpretada com genialidade por Uzo Aduba). Após decepcionar as investidas de Crazy Eyes, Piper acorda no meio da noite com mais uma surpresa, Crazy Eyes urinando no chão para chamar a sua atenção.

9. Cortador de grama no escritório



  Mesma uma série que se passa em um escritório pode ter seus momentos sangrentos, no sexto episódio da terceira temporada de Mad Men, uma brincadeira irresponsável tem consequências trágicas. Por ter sido vendida a uma agência de publicidade britânica, a Sterling Cooper recebe a visita dos seus chefes ingleses para analisar os negócios, um jovem executivo inglês sobre o qual os chefes da sede britânica elogiam muito como um prodígio do mundo dos negócios iria ganhar um cargo importante na Sterling Cooper... até ter seu pé dilacerado por um cortador de grama que tinha sido levado ao escritório de brincadeira. Apesar da tragicidade do evento, muitas piadas são feitas com o acontecimento, como Joan dizendo: "A vida é assim, um dia você está no topo do mundo e em outro uma secretária passa por cima do seu pé com um cortador de grama."

10. Mamilo cortado


  Para terminar esta lista, mais um momento de Mad Men, que eu elegeria como o mais louco de todos que eu já vi! Esta série tem tantos momentos malucos (inclusive renderam um vídeo do canal WatchMojo só sobre suas cenas absurdas) que foi difícil escolher só duas para este texto. No quinto episódio da sétima temporada, um computador é instalado no escritório, o que faz o personagem Michael Ginsberg, um jovem publicitário, agir de maneira muito estranha. Ele diz que o computador estava o tornando gay e iria tornar todos os homens gays, ele tenta transar com a Peggy, sem sucesso, dizendo que eles deveriam se procriar enquanto podiam. Quando parecia que ele tinha voltado ao normal ao ir se desculpar com a Peggy sobre o ocorrido, ele dá uma caixa com um "presente", que ela descobre ser um dos mamilos deles, o qual ele próprio havia arrancado. Diferente da cena do cortador de grama, esta, infelizmente, só rendeu momentos tristes. Michael é levado para um hospital psiquiátrico imediatamente, sendo um fim amargo para um personagem querido pelos outros personagens da trama e pelos fãs da série.





segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

#OscarsSoWhite

    Indicados ao Oscar nas categorias de atuação deste ano. 

  Pelo segundo ano consecutivo, os 20 atores indicados ao Oscar são todos brancos, também igual ao ano passado, a tag #OscarsSoWhite ("Oscar tão branco") se tornou tópico de debate, originando a variante #OscarsStillSoWhite ("Oscar ainda tão branco") também. 
  A atriz Jada Pinkett-Smith iniciou um coro de boicote e aí a indústria se dividiu entre os que saíram em defesa do boicote e os que se calaram ou se manifestaram contra. Will Smith, marido de Jada, alegou que não irá a cerimônia este ano, Spike Lee, diretor que inclusive foi homenageado pela Academia em novembro do ano passado também disse que não comparecerá à entrega das premiações e escreveu um texto na sua conta do Instagram explicando a sua decisão. 
 
    O diretor Spike Lee e a atriz Jada Pinkett-Smith
  Apesar da maioria dos famosos do mundo do cinema aderirem à campanha ou concordarem com a demanda por mais diversidade em Hollywood, houve quem pisasse na bola argumentando contra as reivindicações. A veterana Charlotte Rampling, indicada este ano pelo filme "45 anos", disse que as reclamações em relações as indicações all-white eram "racistas aos brancos" (sugerindo um conceito de racismo reverso que nós todos sabemos muito bem que não existe) e sugerindo que nenhum ator negro foi bom o suficiente para integrar a lista de indicados este ano.
  Para aumentar a tensão na Academia, a presidente é uma mulher negra, e o apresentador da cerimônia este ano é o comediante negro Chris Rock. Ou seja, é de se esperar alguma menção a esta polêmica toda na própria cerimônia (o que também aconteceu ano passada no monólogo de abertura de Neil Patrick Harris). 

    O comediante Chris Rock

  Para começarmos a dissecar esta problemática, é preciso comentar quem é a Academia, em pesquisa do ano passado foi comprovado que a maioria dos membros é homem, branco e acima de 60 anos. Isso diz muito sobre quem é escolhido para ser premiado. Histórias de superação com personagens negros como "Creed" e "Straight Outta Compton" não comove esses espectadores, um drama sobre guerra civil na África como "Beasts of No Nation" também não os interessa. Os filmes que os interessam são os filmes sobre as histórias de pessoas brancas, porque são as histórias deles, e é exatamente por esta razão que as minorias, os negros em especial, se enfurece com a falta de representação das suas histórias.
  Aí chegamos ao cerne da questão, a falta de representatividade. Como este blog é sobre cinema, vou me ater à falta de representatividade no meio cinematográfico, aproveitando a discussão calorosa das últimas semanas, mas é bem sabido que esta conversa poderia ser a respeito de vários outros meios. Além da falta de diversidade racial, a falta da presença de mulheres nos filmes ainda é notável, ano passado, nenhum dos filmes indicados à categoria de melhor filme tinha uma mulher como personagem principal, provando que na maioria das produções as mulheres ainda assumem papéis de personagens coadjuvantes.  
  A conclusão para este problema generalizado é a mesma para o problema específico do Oscar, as pessoas em posição de poder nos grandes estúdios são todos homens brancos. Então fica a pergunta, onde estão as produtoras e diretoras mulheres e os produtores e diretores não brancos? Você pode argumentar que não mereceram, como Rampling, mas se você acredita que nenhuma mulher ou pessoa negra foi capaz de ser indicado ao Oscar este ano ou alçar a uma posição de poder nos estúdios, ou em qualquer outro ramo, no fundo, a ideia que se passa é que as mulheres e os não brancos são menos capazes por natureza, o que além de não ser verdade, não é a resposta do problema. Esta seria pauta para um novo texto, mas eu já adianto que é a falta de uma palavra que começa com "o". 


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Oscar 2016: Principais apostas.

  Nesta época do ano, o mundo do cinema está totalmente voltado à eminente cerimônia do Oscar, que este ano acontecerá no dia 28 de fevereiro, e seus principais candidatos. Já pude conferir alguns deles e este post será seu guia para o Oscar 2016!

Spotlight


  Spotlight é um drama sobre jornalismo investigativo que retrata o caso da reportagem do Boston Globe que deflagrou casos de abuso infantil na Igreja Católica. O filme é dirigido por Tom McCarthy e tem elenco de peso, com Michael Keaton, Mark Ruffalo, Rachel McAdams, Liev Schreiber, Stanley Tucci e John Slattery. O filme não possui artifícios narrativos muito originais, mas conta com qualidade uma história chocante que se torna marcante pelo seu bom roteiro e boas atuações, com destaque a de Mark Ruffalo. A fala de seu personagem, Mike Rezendes, que aparece exaustivamente nas premiações, "poderia ter sido você, poderia ter sido eu, poderia ter sido qualquer um de nós", parecia para mim, antes de ver o filme, um artifício dramático forçado, mas ela aparece no momento ideal da narrativa e resume bem os sentimentos de indignação dos personagens, que também são despertados no espectador, em reação a este caso horripilante de nossa história moderna.

A Grande Aposta


  Este é outro filme que te deixa chocado com um absurdo acontecido nos últimos anos. Um grupo de investidores percebe, no ano de 2005, que haverá uma bolha no mercado imobiliário, assim eles apostam contra os bancos, já prevendo a futura falência dos mesmos. Para alguns, a história pode ser difícil de acompanhar devido à linguagem técnica usada, mas se você se lembrar da crise americana de 2008, você já consegue se nortear, além das participações de celebridades explicando os termos mais técnicos, que foi uma ótima estratégia. Também tem um elenco forte, com Christian Bale, Steve Carrel, Ryan Gosling e Brad Pitt. A atuação de Christian Bale como um médico não praticante que trabalha descalço ouvindo trash metal e possui um olho só se destaca entre um grupo de personagens inusitados. O trunfo do filme é conseguir tornar engraçado e dinâmico um tema tão sem graça, mas sendo sério quando precisa, afinal, ele fala de uma crise que afetou a vida de milhares de pessoas, a cena no final em que os personagens que trabalham para Mark Baum (Steve Carrel) estão sentados em uma escadaria observando várias pessoas que perderam seus empregos vagarem em seu caminho de volta para casa trás complexidade a esses personagens que viram tanta desgraça sentados em suas pilhas de dinheiro.

O Regresso 


  Depois do sucesso de Birdman, Alejandro G. Iñárritu, lança O Regresso, épico estrelado por Leonardo DiCaprio, Tom Hardy e Domhnall Gleeson que também conta uma história verídica, sobre Hugh Glass, um homem que estava em uma expedição para conseguir peles de animais e é atacado por um urso e deixado para morrer pelos seus colegas. O melhor adjetivo para descrever este filme é "intenso", é um filme sobre sobrevivência, a atuação de Leonardo DiCaprio brilha por seu personagem ser colocado nas situações mais desafiadoras, como entrar na carcaça de um cavalo e comer carne crua (o que, aparentemente, ele fez na vida real!). Além de que, segundo os relatos dos atores, foi muito difícil fazer o filme devido a condições externas, como clima e locação, que teve de ser trocada do Canadá para a Argentina, o que também causou um atraso nas filmagens. Tom Hardy também entrega um personagem frio e oportunista com qualidade e a fotografia do filme é belíssima, já sendo a principal candidata desta e das outras categorias técnicas do Oscar.
 
A Garota Dinamarquesa 


  O drama de época de Tom Hooper (O Discurso do Rei, Os Miseráveis) conta a, mais uma, história verídica de Lili Elbe, artista dinamarquesa que foi a primeira transexual da história. Interpretada por Eddie Redmayne, o elenco também conta com Alicia Vikander interpretando a esposa de Lili, Amber Heard, Matthias Schonaerts e Ben Whishaw. O filme se destaca pela sensibilidade ao lidar com um tema tão atual, a atuação de Eddie Redmayne é muito comovente, sendo capaz de transmitir a angústia e animação de sua personagem face uma descoberta que mudaria sua vida para sempre. A atuação de Alicia Vikander também é fundamental para fazer o filme funcionar, pois além do drama pessoal de Lili, sua relação com a sua esposa e o que ela passa devido às mudanças que seu marido sofre também são temas da trama, fazendo o filme tratar também sobre o amor entre estas duas personagens,  que deixa de ser um amor sexual, mas não deixa de existir. 

Mad Max: Estrada da Fúria


  Um filme que estreiou antes da temporada do Oscar, em maio de 2015, no Festival de Cannes (onde foi ovacionado) chegou forte no Oscar. A sequência da trilogia da década de 80 dirigida por George Miller ganhou um capítulo emocionante. Um filme com cenas de ação incríveis, que não negligencia seus personagens, nos presenteando com a maravilhosa Imperatriz Furiosa, interpretada com maestria por Charlize Theron. Tom Hardy assume o lugar de Mel Gibson interpretando Max Rockatansky em uma trama bem construída, apesar dos poucos diálogos, que ainda foi elogiada pelas personagens femininas empoderadoras, algo que não se vê sempre da indústria do cinema.