segunda-feira, 13 de junho de 2016

Perfil: Oscar Isaac, um ator cujo talento está quebrando barreiras


    Não é apenas difícil para um ator vencer na indústria cinematográfica, mas também o é construir uma carreira com filmes de qualidade demonstrando performances dignas de elogios. Sendo uma minoria étnica, ainda mais difícil (infelizmente).  Oscar Isaac, no entanto, tem conseguido fazer tudo isso.
  Nascido na Guatemala em 1979 e radicado em Miami ainda na infância, Oscar Isaac, que tem como nome completo Óscar Isaac Hernández Estrada, começou sua carreira artística na comunidade teatral de Miami. Após, obteve sua formação na prestigiada Juilliard School em Nova York, onde teve Jessica Chastain como colega de turma. Ele logo começou a trabalhar em teatro, TV e cinema, tendo reconhecimento inicial pelo papel de José no filme "The Nativity Story", em 2006. Continuando a adicionar títulos a sua filmografia nos anos seguintes, vieram "Balibo"; "Che", elogiada cinebiografia do revolucionário argentino; "Robin Hood", um enorme sucesso de bilheteria; "W.E.", estreia da cantora Madonna como diretora; e o aclamado "Drive" do diretor Nicolas Winding Refn.
  Apesar de aparecer em filmes de sucesso, Isaac ainda não tinha feito um nome para si. O que começou a mudar em 2013, quando estrelou o filme dos irmãos Coen "Inside Llewyn Davis", onde interpreta um talentoso músico folk com uma carreira fracassada. Por este filme, ele foi indicado a um Globo de Ouro e passou a ter um rosto conhecido. Desde então, Isaac passou a assumir os papéis principais de seus filmes, em "Em Segredo", contracenando com Jessica Lange, "As Duas Faces de Janeiro", "O Ano Mais Violento", "Ex Machina", "Star Wars: O Despertar da Força" e "X-Men: Apocalipse".

                                                            Em "Inside Llewyn Davis".

  Eu tenho que fazer uma pausa para comentar exclusivamente sobre o ano de 2015 na carreira de Isaac, pois este foi um graaande ano para o ator. Além de "Star Wars", que foi o maior lançamento do ano passado, onde interpreta um piloto da Resistência; "O Ano Mais Violento", onde interpreta um empresário de sucesso tentando manter seus negócios em uma Nova York extremamente violenta, atuação que lhe provocou comparações com Al Pacino, e "Ex Machina", onde interpreta o CEO de uma grande empresa que convida um de seus programadores para testar um robô com inteligência artificial, foram os dois filmes mais elogiados da sua carreira após o sucesso de "Inside Llewyn Davis", tendo "Ex Machina" sido um dos mais elogiados de 2015. Neste ano, ele também apareceu na minissérie da HBO, "Show Me a Hero", onde interpreta um jovem prefeito enfrentando um dilema, papel que o consagrou com um Globo de Ouro. A partir deste momento, Oscar Isaac se torna um dos melhores atores de sua geração.

                                                       Em "O Ano Mais Violento".

                                                                Em "Ex Machina".
 
  Mas o meu propósito em escrever este texto, além de tentar fazer todos os leitores deste blog se tornarem fãs deste ser humaninho é destacar as duas coisas que mencionei a princípio. Oscar Isaac não só está construindo uma excelente carreira, mas o está fazendo driblando os estereótipos, e desta forma, mostrando para a indústria cinematográfica que é possível que atores de qualquer etnia interpretem qualquer personagem. Além de que, na maioria dos posts deste blog eu tento apresentar algo bom do cinema, e o trabalho deste ator guatemalteco vem impressionando e promete continuar assim, então conhecer seus trabalhos anteriores e ficar atento aos próximos é a minha sugestão deste post. Antes que vocês possam separar tempo para ver tantos filmes, fica aqui uma amostra do que lhes espera, curta lançado em 2014 chamado "Ticky Tacky" estrelado pelo nosso latin lover amiguinho.


  Só algumas curiosidades, Oscar Isaac entrou na lista das "100 Pessoas Mais Influentes do Mundo" da Revista Time deste ano; ele também canta, tendo usado sua voz em "Inside Llewyn Davis" e dança, como demonstrado nesta memorável cena de "Ex Machina":



                                         


Então, é isso!



                                                      E esse gif, só porque ele é ótimo.


domingo, 5 de junho de 2016

Medo e liberdade.

  Eu estava me lembrando de umas histórias agora e achei que seria interessante compartilhá-las em um texto. Eu me lembro de quando eu era criança/pré-adolescente ter me tornado fã dos Jonas Brothers e das outras celebridades da Disney (Hannah Montana, High School Musical..), era o começo do fangirling na minha vida, e acompanhando as carreiras deles eu conheci o programa da Ellen DeGeneres e me tornei fã do programa e dela imediatamente (óbvio, ela e o seu programa são ótimos). Eu sabia que ela era lésbica, talvez eu não soubesse o que isso significava, mas percebia suas roupas masculinas e não achava estranho. Ah! A beleza das crianças não julgarem os outros. Um dia estava voltando da escola mais cedo, de carona com uma vizinha cujas filhas eram muito amigas minhas, elas também tinham os mesmos ídolos e conheciam o programa da Ellen, e então, eu comentei no carro que estava feliz pois ia pegar o programa dela passando na TV (na época, ele passava com frequência em um canal de TV à cabo). Eu não sei se a minha vizinha já sabia ou quem trouxe o assunto à tona, mas ela comentou sobre a sexualidade da comediante: "Isso é errado. Tá na Bíblia. É pecado". Então eu fiquei confusa, e até um pouco chateada, eu pensei: "Se ser gay é pecado, por que Deus faz pessoas gays?" Cheguei em casa e fui relatar o caso para a minha mãe, usando exatamente esta mesma pergunta. "Se ser gay é pecado, por que Deus faz pessoas gays?" Para o meu estranhamento, eu ouvi silêncio da minha mãe, e percebi que ela não estava indignada como eu, o que me decepcionou, pois esperava que minha mãe fosse concordar com a minha indignação. Minha mãe não é uma pessoa preconceituosa, ela jamais diria o que a vizinha disse, mas ela não estava chocada, ela sabia como as coisas eram. Agora eu já estou acostumada com esse silêncio dos que não concordam com a minha indignação. Ou dos que concordam, mas preferem não falar.
   A outra história, eu não me lembro se aconteceu antes ou depois, provavelmente antes, foi em um São João. A minha família, enorme por sinal, sempre se reúne e faz uma grande festa com quadrilha e tudo mais. Eu adorava dançar quadrilha e todo o ano escolhia um primo para ser o meu par. Naquele ano, por alguma razão, escolhi dançar com uma prima minha a quem eu era muito próxima. Minha família não queria deixar, e como eu era criança, eu esperneei e acabei dançando com a minha prima, que era mais nova do que eu e também não viu nada de errado. Eu não entendia o que os outros achavam de tão estranho, eu gostava da minha prima e queria dançar com ela assim como era com os meus primos. Hoje eu me pergunto se meus pais temeram que eu estivesse demostrando alguma tendência à homossexualidade, apesar de eu achar que eles e o resto da minha família só queriam manter a tradição. Eu não sabia o que eram pessoas homossexuais, eu me tornei uma pessoa heterossexual e talvez eu já me percebesse assim na época, eu quis fazer o que tive vontade sem me preocupar com o que os outros iriam pensar. Ah! A beleza da liberdade das crianças em não terem medo do julgamento alheio.

  Eu me pergunto porque a gente faz isto com as crianças. Porque a gente corrompe as crianças com nossas preocupações em relação a coisas idiotas e pequenas. Quando eu era criança eu sabia que a sexualidade da Ellen DeGeneres não afetava em nada a forma como eu a via, que eu podia fazer o que quiser sem medo do que os outros vão pensar. Eu também mudei, eu também fui corrompida. Porque eu me senti nervosa escrevendo este texto pela forma como eu ia ser percebida. Eu não o admito com orgulho. Senti medo de escrever um texto que iria falar em defesa de uma minoria, o que eu acho uma coisa linda, medo do que os outros iam pensar das minhas ideias. Assim como algumas pessoas tem medo de usar a palavra "feminista". Além de termos vergonha de ser o que somos e fazermos o que quisermos, temos medo também de termos nossas ideias. Eu não acho que os meus pais, o resto da minha família e até a minha vizinha tiveram alguma má intenção em fazer o que fizeram, eles seguiram as convenções, convenções que podem existir, mas não devem restringir nossa liberdade ou serem usadas para ofender os outros. Isso afeta a nós todos, porque sempre temos um pouco de vergonha sem necessidade e restringimos um pouco a nossa liberdade por causa disso. Citando Nina Simone, "Liberdade para mim é isto: Não ter medo." Vamos ser livres e deixarmos os outros serem livres.


domingo, 8 de maio de 2016

Adaptações literárias



  Quem não já ouviu o dizer "o filme é bom, mas o livro é mil vezes melhor!"? Bem, eu vou dar algumas razões para você acreditar que essa afirmação não pode estar correta. Para começar, literatura e cinema são formas de artes diferentes, e uma não é superior à outra. Segundo, é preciso pensar nos desafios de se adaptar um livro para o cinema, o que significa condensar as várias páginas de um livro em um roteiro que não vai poder ter muitas páginas e tornar aquela narração um produto imagético. O que o livro quer dizer terá que ser posto em imagens, então aquelas descrições, aquela ironia, aqueles pensamentos dos personagens devem ficar, de alguma forma, visíveis na tela, sem o recurso das palavras (com exceção das falas, obviamente) para deixar o que está acontecendo na história claro. Além do mais, sem estar escrito, os sentimentos dos personagens e o tom da narrativa fica muito mais difícil de ser representado, o que também é influenciado pela interpretação individual que se tem da obra literária, que pode não ser a mesma para todo leitor.



  Outra coisa importante de se entender é que, quando uma adaptação de um livro é proposta, não significa que o filme está fazendo um serviço ao livro e seja proibido se diferenciar do romance literário de qualquer forma, quando a intenção de quem faz o filme é tentar reproduzir as sensações causadas pelo livro com a maior fidelidade, também não tem problema, mas o cinema, assim como a literatura, também pode ser uma obra autoral, então quando alguém como Stanley Kubrick ou David Fincher vão adaptar um livro, eles vão dar as suas próprias marcas, porque são diretores que têm um estilo próprio. Quando eu vou assistir um filme de Kubrick, Fincher, Scorsese ou Hitchcock, eu quero ver o que eles tem a me apresentar e não o que o escritor do livro em que o filme se baseou tem, se eu quisesse isso, eu leria o livro. Mais uma diferença entre o fazer literário e o fazer cinematográfico a se apontar é que quando um filme está sendo feito, não se recorre ao roteiro o tempo inteiro, alguns diretores, após entenderem o geral da história, jogam o roteiro fora e fazem o que querem, não conservando nem as falas dos atores, também tem filme que é feito sem roteiro algum, porque no cinema, roteiro é base e não algo a ser seguido à risca, a preocupação é como colocar os atores para representar a trama. 



  Algumas obras muito famosas do cinema são adaptações de livro e nem são lembradas como tal, "Laranja Mecânica" é a adaptação de um livro, assim como "Os Bons Companheiros" de Scorsese, "Trainspotting" de Danny Boyle, vários filmes de Hitchcock, que sempre são lembrados como grandes obras do cinema por si próprias como "Rebecca", "Psicose" e "Os Pássaros", e também os diretores da Nouvelle Vague, movimento do cinema francês conhecido pela originalidade e revolução na narrativa cinematográfica, fizeram filmes baseados em livros, como "Jules e Jim" de Truffaut e "O Desprezo" de Godard, filmes com características completamente autorais de seus diretores. E se você estiver pensando naquele filme que foi baseado em um livro e não teve naaaada da história do romance e achou que foi uma sacanagem, na verdade, não foi, pois quem produz o filme não faz esse compromisso de colocar exatamente o que está no livro na tela quando compra os direitos do autor, às vezes, um filme se baseia em um livro de forma bem solta, sem compromisso algum. Outro exemplo importante são os casos em que as mudanças em relação a obra literária se tornam uma necessidade, como nos filmes do universo cinematográfico da Marvel, que fazem alterações em relação aos quadrinhos para ter coerência no seu conjunto de filmes ou por não ter os direitos de algum personagem (alguns personagens dos quadrinhos da Marvel são de posse de outros estúdios). O importante é que os filmes são independentes dos livros e o devem ser, eles devem ter vida própria e liberdade para serem feitos como os profissionais do cinema quiserem. Uma fala que poderia resumir todo o dilema livro x filme é a que uma professora de inglês que eu tive me disse quando eu a perguntei sobre como era o livro de "Laranja Mecânica" em comparação ao filme, ela respondeu que não eram muito parecido, pois o filme e o livro são "ambos bons, mas de formas diferentes".