quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Filmes sobre esportes


  Esporte é emoção pura, por isso gostamos de assistir. O cinema, como muitas formas de artes, também conta muito com a comoção, com a grande diferença de que é tudo ensaiado; algo que o cinema certamente inveja devido ao realismo que muitas vezes tenta passar. Sendo assim, naturalmente, muitos filmes vão contar histórias ligadas a esportes e seus esportistas, histórias que, além de muita ação e cenas impactantes, trazem inspiração e lições de vida. 

Voando Alto


  Lançado este ano, "Voando Alto" definitivamente é o filme que melhor representa o espírito olímpico. Ele conta a história de Eddie Edwards, conhecido como Eddie "the Eagle", um atleta de salto de esqui que decide tentar ir para as Olimpíadas de Inverno apenas um ano antes dos jogos- sem nunca ter praticado o esporte. O filme representa muito bem o espírito "o importante é competir", que pode parecer um discurso sem ambição, mas ambição é o que não falta em Eddie; o filme é inspirador de uma forma meiga e engraçada devido em grande parte ao carisma que Taron Egerton traz ao personagem principal e a boa química com Hugh Jackman, que interpreta o treinador do atleta. Pode soar muito romântico, mas é um filme que após assistido te dá vontade de seguir seus sonhos- mesmo os mais loucos como o de Eddie.



Invencível


  O primeiro grande filme dirigido por Angelina Jolie é baseado na história real de Louis Zamperini, um atleta olímpico de corrida que vai servir na II Guerra Mundial, onde passa por um acidente de avião e se torna prisioneiro de guerra dos japoneses- ou seja, sofre pra cacete bastante. O filme pode não ter o esporte como tema principal o tempo todo, mas é uma história que envolve muito força pessoal- algo sempre relacionado com o lado atleta do personagem principal- além de ser uma biografia muito inspiradora de um atleta. Louis Zamperini pôde voltar às Olimpíadas após a guerra quando, aos 81 anos, carregou a tocha olímpica nas Olimpíadas de Inverno de 1998, ocorrida, ironicamente, no Japão.



7 Dias no Inferno


  "7 Dias no Inferno" é um mockumentary, documentário fictício cômico, feito para a TV da HBO. Ele "documenta" uma partida de tênis que dura sete dias e as histórias ao redor da "mais longa partida de tênis da história". Kit Harington e Andy Samberg interpretam os personagens principais e o filme ainda conta com aparições Serena Williams e David Copperfield como eles mesmos. As atuações são hilárias e, sem exagero, um dos filmes mais engraçados que eu assisti nos últimos anos.



Maldito Futebol Clube


   Dirigido por Tom Hooper, mais conhecido pelos seus filmes posteriores "O Discurso do Rei" e "A Garota Dinamarquesa", o filme narra a trajetória do técnico de futebol inglês Brian Clough durante a sua ascensão no pequeno time Derby County e seus fatídicos 40 dias como técnico do Leeds United. A narrativa é cheia de flashbacks e momentos engraçados, além de ter Michael Sheen em ótima atuação como o egocêntrico e ambicioso personagem principal; Timothy Spall e Jim Broadbent também estão no elenco.


Guerreiro


  Centrado no mundo do MMA, "Guerreiro" conta a história fictícia de dois irmãos distantes que se reencontram no MMA, porém, em lados opostos do octágono. O filme tem alguns clichês do gênero filme de esporte, mas suas cenas de ação são muito bem feitas e seus atores principais, Tom Hardy e Joel Edgerton, entregam performances poderosas em personagens que possuem dramas realmente comoventes.



Rush

 
                          
    
  Dirigido por Ron Howard, diretor de "Uma Mente Brilhante", "Rush" retrata a duradoura rivalidade entre os pilotos de Fórmula 1 James Hunt e Niki Lauda, interpretados por Chris Hemsworth e Daniel Brühl respectivamente. As cenas de corrida são instigantes e as performances dos atores destacam as diferenças entre os personagens, fazendo a rivalidade entre eles parecer ainda mais interessante.


Invictus 


                         

  Na África do Sul pós-Apartheid, ainda cheia de tensões raciais e sociais, a Copa do Mundo de Rúgbi no ano de 1995 marcou um raro momento de união entre brancos e negros. Os responsáveis por isso foram Nelson Mandela e o capitão do time de rúgbi François Pineear, interpretados por Morgan Freeman e Matt Damon respectivamente, em atuações que renderam a ambos indicações ao Oscar. O título do filme é inspirado por um poema do poeta inglês William Ernest Henley que teria inspirado Mandela durante seus anos de prisão; o filme consegue representar uma das melhores facetas do esporte, a capacidade de unir os povos.



Menina de Ouro


  Também dirigido por Clint Eastwood e estrelando Morgan Freeman, "Menina de Ouro" é baseado nos contos de F.X. Toole, pseudônimo de um cutman (pessoa responsável por tratar lutadores entre os rounds) chamado Jerry Boyd. Hilary Swank interpreta uma garçonete aspirante a boxeadora, ela procura a academia administrada pelo personagem interpretado também por Clint Eastwood que a princípio recusa treiná-la, mas acaba mudando de ideia. Morgan Freeman interpreta um empregado da academia em uma performance que lhe rendeu um Oscar- apesar de não ser a melhor atuação da carreira dele- assim como o Oscar de Melhor Filme, Melhor Direção para Clint Eastwood, Melhor Atriz para Hilary Swank e Melhor Roteiro.


Touro Indomável

  
  Considerado um dos melhores filmes de todos os tempos, "Touro Indomável" é dirigido pelo lendário diretor Martin Scorsese e se baseia nas memórias do boxeador Jake LaMotta. Lançado em 1981, mas com um visual preto e branco que lembra filmes mais antigos, o filme narra a história de LaMotta como um personagem com uma raiva autodestrutiva interpretado com maestria por Robert De Niro em uma das atuações mais memoráveis do cinema; Joe Pesci interpreta o irmão de LaMotta que tenta ajudá-lo em vão também rendendo uma atuação marcante. As cenas de lutas são muito intensas, a ponto de ter feito o filme não ser muito bem recebido nas primeiras críticas por ter sido considerado muito violento. Também intensa foi a preparação de De Niro para o papel, passando por um efeito sanfona para viver o personagem, ele aparece em forma nas partes em que LaMotta é um lutador de sucesso e sobrepeso nas cenas em que seu personagem está aposentado, as filmagens tiverem que ser interrompidas para De Niro ganhar peso após ter treinado bastante para atingir o físico atlético- todo esse esforço lhe rendeu um Oscar de Melhor Ator. Entre as várias atribuições ao filme, ele é considerado a magnum opus de Scorsese e um clássico moderno.


quarta-feira, 27 de julho de 2016

Americanah



  "Americanah" é o terceiro livro de ficção da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, retratando a história de Ifemelu, uma jovem nigeriana que imigra para os Estados Unidos a fim de estudar e acaba se estabelecendo lá. 
  Dividido em seis partes, o livro se passa em três países- Nigéria, Estados Unidos e Inglaterra; sendo ao mesmo tempo uma crítica social e uma historia de amor. Ifemelu, enquanto nos Estados Unidos, cria um blog sobre a realidade racial de lá  e, ao retornar à Nigéria, reencontra o seu amor de juventude, Obinze, que também vivera no exterior, porém, como imigrante ilegal.
  Uma das melhores coisas sobre este livro é o fato de ser contado sob pontos de vista que, normalmente, não encontramos nos livros comerciais; a grande parte da narrativa é contada pela perspectiva de Ifemelu, uma mulher, negra, africana e imigrante. O que abre uma leque de observações que podem parecer diferentes à nossa realidade ou bastante familiares.

                  A personagem Black Cindy lendo "Americanah" em "Orange is the new black".

  Nas partes que se passam na Nigéria são exploradas visões de um país periférico a partir do seu próprio povo, o que pode ser uma descoberta do continente africano como ele realmente é para vários leitores. Já nos momentos que se passam nos EUA e na Inglaterra, vemos o choque cultural dos personagens nigerianos nestes países e o racismo que existe neles; uma realidade que pode ser aplicada a vários outros países. 
  "Americanah" é um livro de ficção que pode trazer muito conhecimento para quem o lê. É uma obra que faz você ver coisas que depois não podem ser desvistas e te dá uma percepção do mundo mais abrangente, no momento em que você enxerga personagens e vidas que antes não podia imaginar.
  Este livro, que foi lançado apenas em 2013, foi muito bem recebido, tendo sido agraciado com alguns prêmios e colocando Chimamanda Ngozi Adichie entre os jovens escritores mais promissores da língua inglesa. Adichie tem uma voz muito ativa quanto a assuntos como racismo e feminismo, suas palestras no TED se tornaram bem populares, em especial a que se chama "Nós deveríamos todos ser feministas" (que deu origem a outro livro dela lançado mais recentemente) a qual possui um trecho que a cantora Beyoncé utilizou na canção "Flawless". Menos conhecida, a sua palestra sobre estereótipos chamada "Os Perigos de uma História Única" também é muito interessante, vale a pena conferir ambas:




sexta-feira, 24 de junho de 2016

Game of Thrones T06E09 - "A Batalha dos Bastardos"



  O último episódio de "Game of Thrones" foi daqueles de gerar uma empolgação que há muito tempo não se via na série, após uma quinta temporada fraca e alguns episódios razoáveis depois de um bom começo na sexta temporada. Centrado em dois dos núcleos da série, o de Daenerys em Meereen e o de Jon Snow no norte, vimos estas duas tramas avançarem consideravelmente, cada herói vencendo seu antagonista; Daenerys anulando os mestres e se tornando soberana em Meereen e Jon Snow reconquistando Winterfell dos Bolton.


  Começando com Daenerys, a Mãe dos Dragões finalmente parece que vai iniciar sua caminhada em direção a Westeros para conquistar o trono que clama como seu por direito desde as primeiras temporadas, acabando com o tédio que os próprios personagens do seu núcleo sentiam e prometendo a volta de uma Daenerys conquistadora na próxima temporada. A resolução do conflito iniciado no final do episódio anterior pareceu simples, mas trouxe a ação que precisava e mostrou a khaleesi utilizando todo o seu potencial; além de que, com dragões e um exército não se precisa de muito mais. Como se o timing já não fosse perfeito, Yara e Theon Greyjoy chegam para oferecer sua frota de navios a Daenerys em troca de uma ajudinha para reconquistar a Ilha de Ferro dos seus tios, cena que rendeu um dos melhores momentos da temporada com o flerte de Yara e Daenerys (já pode shipar, Danyara ou Yanerys, ainda não há um nome definido).


  Mas a maior parte do episódio realmente foi dedicada à "Batalha dos Bastados" que dá título ao episódio, onde três personagens tiverem seus enredos muito bem delineados. Vemos Sansa se transformar em uma verdadeira estrategista no "jogo dos tronos", Jon Snow voltando a lutar por algo após a decepção da traição dos seus companheiros na Patrulha da Noite e Ramsay encontrando seu destino final em uma amarga derrota. 


  A enorme cena da batalha que dá o tom épico do episódio é tanto rica visualmente quanto dramaticamente, como torturante foi a cena em que o sádico Ramsay finge que deixará Rickon escapar só para abatê-lo bem diante dos olhos do seu irmão que ainda tentava salvá-lo. As intensas cenas de luta, muito bem filmadas, colocavam o espectador dentro do campo de combate, o cerco criado pelas tropas dos Bolton para sufocar o exército de Snow- inspirado na Batalha de Canas segundo a própria produção da série, quando os romanos ficaram presos em um semi-círculo pelos cartagineses e acabaram morrendo esmagados- criou belas imagens, em que a fotografia se destaca, e a sensação angustiante de asfixia; chegando ao seu auge quando Jon Snow quase é sufocado sendo soterrado por cadáveres, pisoteado pelos soldados e ao voltar a respirar fundo, como um "renascimento" segundo as palavras do próprio intérprete do personagem, encontra a salvação no exército do Vale trazido por Sansa e Mindinho quando tudo parecia perdido.




  Foi uma saída clichê para a situação, a salvação chegando no último minuto, mas que não tirou os méritos do episódio; a partir daí, o ritmo não desacelera, quando Jon Snow e o resto do seu exército chegam a Winterfell e ele põe as mãos, literalmente, em Ramsay, dando a satisfação que os espectadores tanto esperavam, as bandeiras da Casa Stark são hasteadas novamente, consagrando um raro final feliz à série. O fim de Ramsay, que provou do mesmo nível de crueldade a qual submetera tantos outros personagens, sendo comido vivo pelos seus "cães fiéis", foi o ponto decisivo para Sansa, que se viu pela primeira vez vencer no "jogo". Além de Sansa conseguir executar seu plano com sucesso, Ramsay passa de sua confiança excessiva a um estado de negação ao perceber sua derrota que é muito bem demonstrado; quando ele retorna a Winterfell e diz "O exército deles acabou", ele chega a se irritar quando ouve "O nosso exército acabou" de um de seus conselheiros, ele não consegue ver a reviravolta pela qual passou e ainda acha que tem chance, permanecendo assim até o último momento ao acreditar que as feras que estão ali para devorá-lo vão poupá-lo. E Jon Snow também tem sua evolução pessoal exposta; na batalha, já não é mais como fora antes, em momentos, luta perdido, sem saber onde quer chegar, até ver a possibilidade de vitória e de reconquistar Winterfell, quando só então tem sua gana recuperada.



Som dos cachorros do Ramsay o destroçando no fundo.

  Foi um grande episódio, em todos os sentidos da palavra, que deu a sensação da série está tomando o caminho certo. Esperemos que o último episódio da temporada mantenha o nível e traga desenvolvimentos satisfatórios para os outros núcleos e personagens da série. Pois quando Game of Thrones acerta, não há melhor série de TV do que isso.




Eu realmente pedi por uma morte por dragões.