quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Winona Ryder, o ícone dos anos 90 está de volta.



  No hit recente do Netflix, "Stranger Things", é difícil não se surpreender com a atuação de Winona Ryder, uma atriz que dificilmente não será reconhecida por pelo menos um de seus trabalhos anteriores. Você pode se lembrar dela como a garota loira dançando na neve em "Edward Mãos de Tesoura", a adolescente gótica em "Os Fantasmas se Divertem" ou uma jovem com um distúrbio mental em "Garota, Interrompida", além de uma variedade de outros papéis em filmes de sucesso, tendo se tornado uma das atrizes mais populares e proliferas da década de 90.
  Winona nasceu em uma família intelectual e alternativa, morando por alguns anos de sua infância em uma comunidade hippie. Pelos seus pais, ela teve contato com grandes filmes do cinema antigo e em sua adolescência se tornou fã do escritor J. D. Sallinger, em especial de sua obra "O Apanhador no Campo de Centeio". Ryder demonstrou interesse por atuação ainda adolescente e conseguiu seu primeiro papel em um filme no ano de 1985, aos 14 anos. Três anos depois, Winona apareceria em dois filmes que ganhariam popularidade; "Os Fantasmas se Divertem", seu primeiro filme sob a direção de Tim Burton, um sucesso de crítica e de público na época- no qual ela interpreta uma adolescente que se torna amiga dos fantasmas da casa aonde sua família se muda, e "Atração Mortal", uma comédia satírica que não obteve muito sucesso nas bilheteria apesar de uma boa recepção dos críticos, se tornando um clássico cult depois.

                                Em "Os Fantasmas se Divertem".

  Na virada da década, Winona conseguiria papéis que a alçariam ao status de estrela. Se reunindo com Tim Burton para o grande sucesso "Edward Mãos de Tesoura", onde ela contracena com seu então namorado, Johnny Depp (eles formaram um dos casais mais famosos do começo dos anos 90); no mesmo ano, a jovem atriz consegue o papel de Mary Corleone em "O Poderoso Chefão, parte III", mas acaba tendo que abdicar do papel devido a exaustão. Em 1992, ela teria novamente a oportunidade de trabalhar com Francis Ford Coppola e desta vez com sucesso em uma adaptação de "Drácula" de Bram Stoker; no ano seguinte, ela aparece em "A Época da Inocência", trabalhando mais uma vez com um diretor de peso, Martin Scorsese, em uma atuação que lhe renderia sua primeira indicação ao Oscar. Continuando a adicionar mais e mais títulos ao seu currículo em meados dos anos 90, ela recebe sua segunda indicação ao Oscar pela adaptação do clássico "Adoráveis Mulheres" e estrela o filme sobre a Geração X dirigido por Ben Stiller "Caindo na Real".

                                Em "Edward Mãos de Tesoura".

                                                    Em "A Época da Inocência".

  No entanto, a partir de então a produtividade de Winona continua, mas os sucessos não. Ela aparece em uma adaptação da peça de Arthur Miller "As Bruxas de Salém", em que sua performance é elogiada mas não evita o filme de ser uma decepção nas bilheterias, um filme da trilogia "Alien" que recebe boas críticas e faz boa arrecadação apesar de ter sido o menos bem-sucedido da trilogia e um filme de Woody Allen chamado "Celebridades", apreciado, mas como muitos outros títulos do diretor, não alcança popularidade. Então, surge o projeto que daria no filme "Garota, Interrompida"- um dos filmes mais marcantes da carreira de Winona que contou com seu apoio para se tornar realidade devido ao desejo dela de fazer o filme. Mesmo com o novo sucesso, as expectativas da atriz de voltar a protagonizar um grande filme são frustradas devido ao sucesso que Angelina Jolie, até então pouco conhecida, ganhou com o filme, ofuscando a atuação de Ryder.

                                 Em "Garota, Interrompida".

  Com a chegada dos anos 2000, as coisas não melhoram para Winona. Em 2001, Winona é presa por roubar roupas da loja de departamento Saks Fifth Avenue, ela foi sentenciada a pagar multas, uma indenização à loja e cumprir 480 horas de serviço comunitário. Sobre o incidente, Winona comentou que ela estava passando por um período de forte depressão, doença que ela sofreu por grande parte da sua vida, e analgésicos receitados por um médico charlatão afetaram sua capacidade de julgamento. Em seguida, a atriz começa um hiatus que duraria cinco anos, do qual ela voltou conseguindo alguns trabalhos, porém nada expressivo até começa seu verdadeiro "retorno" em 2010.
  Neste ano, ela aparece em papéis menores em "Star Trek" e "Cisne Negro", em 2012 ela empresta sua voz trabalhando novamente com Tim Burton em "Frankenweenie" e estrela o vídeo da banda "The Killers" para a música "Here With Me" também dirigido por Tim Burton. Porém, seria na TV onde Winona colocaria seu nome de volta no mapa, após um papel coadjuvante na minissérie da HBO "Show Me a Hero", a série original do Netflix "Stranger Things" colocou o nome de Winona nos holofotes de novo. A série de expressivo sucesso e ótima qualidade proporcionou a Winona um grande papel- digno de uma atuação de excelência que ela consegue entregar, mostrando o talento que tinha ficado escondido por tantos anos. 

                                                 Em foto do início da década de 90.

  Winona tem sido uma atriz que além de conseguir produzir trabalhos marcantes, sempre manteve um padrão alto em suas performances, se apresentando como uma atriz inteligente e autêntica de uma forma que muitas vezes não se espera de atores hollywoodianos. Ela conseguiu superar um incidente desastroso e voltar a provar que merece nossa atenção. É o que vamos dar aos seus futuros projetos.
  
  
    
  
    

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Filmes sobre esportes


  Esporte é emoção pura, por isso gostamos de assistir. O cinema, como muitas formas de artes, também conta muito com a comoção, com a grande diferença de que é tudo ensaiado; algo que o cinema certamente inveja devido ao realismo que muitas vezes tenta passar. Sendo assim, naturalmente, muitos filmes vão contar histórias ligadas a esportes e seus esportistas, histórias que, além de muita ação e cenas impactantes, trazem inspiração e lições de vida. 

Voando Alto


  Lançado este ano, "Voando Alto" definitivamente é o filme que melhor representa o espírito olímpico. Ele conta a história de Eddie Edwards, conhecido como Eddie "the Eagle", um atleta de salto de esqui que decide tentar ir para as Olimpíadas de Inverno apenas um ano antes dos jogos- sem nunca ter praticado o esporte. O filme representa muito bem o espírito "o importante é competir", que pode parecer um discurso sem ambição, mas ambição é o que não falta em Eddie; o filme é inspirador de uma forma meiga e engraçada devido em grande parte ao carisma que Taron Egerton traz ao personagem principal e a boa química com Hugh Jackman, que interpreta o treinador do atleta. Pode soar muito romântico, mas é um filme que após assistido te dá vontade de seguir seus sonhos- mesmo os mais loucos como o de Eddie.



Invencível


  O primeiro grande filme dirigido por Angelina Jolie é baseado na história real de Louis Zamperini, um atleta olímpico de corrida que vai servir na II Guerra Mundial, onde passa por um acidente de avião e se torna prisioneiro de guerra dos japoneses- ou seja, sofre pra cacete bastante. O filme pode não ter o esporte como tema principal o tempo todo, mas é uma história que envolve muito força pessoal- algo sempre relacionado com o lado atleta do personagem principal- além de ser uma biografia muito inspiradora de um atleta. Louis Zamperini pôde voltar às Olimpíadas após a guerra quando, aos 81 anos, carregou a tocha olímpica nas Olimpíadas de Inverno de 1998, ocorrida, ironicamente, no Japão.



7 Dias no Inferno


  "7 Dias no Inferno" é um mockumentary, documentário fictício cômico, feito para a TV da HBO. Ele "documenta" uma partida de tênis que dura sete dias e as histórias ao redor da "mais longa partida de tênis da história". Kit Harington e Andy Samberg interpretam os personagens principais e o filme ainda conta com aparições Serena Williams e David Copperfield como eles mesmos. As atuações são hilárias e, sem exagero, um dos filmes mais engraçados que eu assisti nos últimos anos.



Maldito Futebol Clube


   Dirigido por Tom Hooper, mais conhecido pelos seus filmes posteriores "O Discurso do Rei" e "A Garota Dinamarquesa", o filme narra a trajetória do técnico de futebol inglês Brian Clough durante a sua ascensão no pequeno time Derby County e seus fatídicos 40 dias como técnico do Leeds United. A narrativa é cheia de flashbacks e momentos engraçados, além de ter Michael Sheen em ótima atuação como o egocêntrico e ambicioso personagem principal; Timothy Spall e Jim Broadbent também estão no elenco.


Guerreiro


  Centrado no mundo do MMA, "Guerreiro" conta a história fictícia de dois irmãos distantes que se reencontram no MMA, porém, em lados opostos do octágono. O filme tem alguns clichês do gênero filme de esporte, mas suas cenas de ação são muito bem feitas e seus atores principais, Tom Hardy e Joel Edgerton, entregam performances poderosas em personagens que possuem dramas realmente comoventes.



Rush

 
                          
    
  Dirigido por Ron Howard, diretor de "Uma Mente Brilhante", "Rush" retrata a duradoura rivalidade entre os pilotos de Fórmula 1 James Hunt e Niki Lauda, interpretados por Chris Hemsworth e Daniel Brühl respectivamente. As cenas de corrida são instigantes e as performances dos atores destacam as diferenças entre os personagens, fazendo a rivalidade entre eles parecer ainda mais interessante.


Invictus 


                         

  Na África do Sul pós-Apartheid, ainda cheia de tensões raciais e sociais, a Copa do Mundo de Rúgbi no ano de 1995 marcou um raro momento de união entre brancos e negros. Os responsáveis por isso foram Nelson Mandela e o capitão do time de rúgbi François Pineear, interpretados por Morgan Freeman e Matt Damon respectivamente, em atuações que renderam a ambos indicações ao Oscar. O título do filme é inspirado por um poema do poeta inglês William Ernest Henley que teria inspirado Mandela durante seus anos de prisão; o filme consegue representar uma das melhores facetas do esporte, a capacidade de unir os povos.



Menina de Ouro


  Também dirigido por Clint Eastwood e estrelando Morgan Freeman, "Menina de Ouro" é baseado nos contos de F.X. Toole, pseudônimo de um cutman (pessoa responsável por tratar lutadores entre os rounds) chamado Jerry Boyd. Hilary Swank interpreta uma garçonete aspirante a boxeadora, ela procura a academia administrada pelo personagem interpretado também por Clint Eastwood que a princípio recusa treiná-la, mas acaba mudando de ideia. Morgan Freeman interpreta um empregado da academia em uma performance que lhe rendeu um Oscar- apesar de não ser a melhor atuação da carreira dele- assim como o Oscar de Melhor Filme, Melhor Direção para Clint Eastwood, Melhor Atriz para Hilary Swank e Melhor Roteiro.


Touro Indomável

  
  Considerado um dos melhores filmes de todos os tempos, "Touro Indomável" é dirigido pelo lendário diretor Martin Scorsese e se baseia nas memórias do boxeador Jake LaMotta. Lançado em 1981, mas com um visual preto e branco que lembra filmes mais antigos, o filme narra a história de LaMotta como um personagem com uma raiva autodestrutiva interpretado com maestria por Robert De Niro em uma das atuações mais memoráveis do cinema; Joe Pesci interpreta o irmão de LaMotta que tenta ajudá-lo em vão também rendendo uma atuação marcante. As cenas de lutas são muito intensas, a ponto de ter feito o filme não ser muito bem recebido nas primeiras críticas por ter sido considerado muito violento. Também intensa foi a preparação de De Niro para o papel, passando por um efeito sanfona para viver o personagem, ele aparece em forma nas partes em que LaMotta é um lutador de sucesso e sobrepeso nas cenas em que seu personagem está aposentado, as filmagens tiverem que ser interrompidas para De Niro ganhar peso após ter treinado bastante para atingir o físico atlético- todo esse esforço lhe rendeu um Oscar de Melhor Ator. Entre as várias atribuições ao filme, ele é considerado a magnum opus de Scorsese e um clássico moderno.


quarta-feira, 27 de julho de 2016

Americanah



  "Americanah" é o terceiro livro de ficção da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, retratando a história de Ifemelu, uma jovem nigeriana que imigra para os Estados Unidos a fim de estudar e acaba se estabelecendo lá. 
  Dividido em seis partes, o livro se passa em três países- Nigéria, Estados Unidos e Inglaterra; sendo ao mesmo tempo uma crítica social e uma historia de amor. Ifemelu, enquanto nos Estados Unidos, cria um blog sobre a realidade racial de lá  e, ao retornar à Nigéria, reencontra o seu amor de juventude, Obinze, que também vivera no exterior, porém, como imigrante ilegal.
  Uma das melhores coisas sobre este livro é o fato de ser contado sob pontos de vista que, normalmente, não encontramos nos livros comerciais; a grande parte da narrativa é contada pela perspectiva de Ifemelu, uma mulher, negra, africana e imigrante. O que abre uma leque de observações que podem parecer diferentes à nossa realidade ou bastante familiares.

                  A personagem Black Cindy lendo "Americanah" em "Orange is the new black".

  Nas partes que se passam na Nigéria são exploradas visões de um país periférico a partir do seu próprio povo, o que pode ser uma descoberta do continente africano como ele realmente é para vários leitores. Já nos momentos que se passam nos EUA e na Inglaterra, vemos o choque cultural dos personagens nigerianos nestes países e o racismo que existe neles; uma realidade que pode ser aplicada a vários outros países. 
  "Americanah" é um livro de ficção que pode trazer muito conhecimento para quem o lê. É uma obra que faz você ver coisas que depois não podem ser desvistas e te dá uma percepção do mundo mais abrangente, no momento em que você enxerga personagens e vidas que antes não podia imaginar.
  Este livro, que foi lançado apenas em 2013, foi muito bem recebido, tendo sido agraciado com alguns prêmios e colocando Chimamanda Ngozi Adichie entre os jovens escritores mais promissores da língua inglesa. Adichie tem uma voz muito ativa quanto a assuntos como racismo e feminismo, suas palestras no TED se tornaram bem populares, em especial a que se chama "Nós deveríamos todos ser feministas" (que deu origem a outro livro dela lançado mais recentemente) a qual possui um trecho que a cantora Beyoncé utilizou na canção "Flawless". Menos conhecida, a sua palestra sobre estereótipos chamada "Os Perigos de uma História Única" também é muito interessante, vale a pena conferir ambas: