sexta-feira, 3 de março de 2017

Barry Jenkins - o nome que assina "Moonlight"


  Quando Warren Beatty anunciou erroneamente "La La Land - Cantando Estações" como vencedor do Oscar de Melhor Filme invés de "Moonlight - Sob a Luz do Luar" domingo (26), um jovem diretor subiu o palco boquiaberto para então ser saudado pelos seus colegas como o mestre responsável pelo filme agora vencedor do Oscar; ele viu o resultado de ter pego apenas $ 1,5 milhão e suas experiências de uma infância marginalizada ser um filme capaz de tocar e maravilhar todo tipo de público. 
  Para muitas pessoas, o nome de Barry Jenkins é uma novidade, o que não é surpreendente considerando que "Moonlight" é apenas o seu segundo filme. Seu primeiro filme, "Medicine for Melancholy" (Remédio para a melancolia) foi lançado em 2008 e foi seguido por um bloqueio criativo que durou anos até Jenkins se deparar com o texto da peça não realizada "In Moonlight Black Boys Look Blue" (Na luz da lua garotos pretos ficam azuis) de Tarell Alvin McCraney, com quem co-escreveu "Moonlight".   

                                      Jenkins com Alex R. Hibbert no set de "Moonlight".

  Natural de Miami como o personagem central da sua obra, Jenkins também teve uma mãe com um problema de vício em crack e não chegou a realmente conhecer a identidade do seu pai. Quase por coincidência, como é o caso de muitas pessoas destinadas a uma profissão não comum para a sua origem, Jenkins descobriu o curso de cinema da Universidade do Estado da Flórida devido às salas do curso ficarem perto do campo de futebol americano. Da sua turma também saíram os diretores David Robert Mitchell do aclamado terror independente "Corrente do Mal" (2014) e o diretor de "Maze Runner: Correr ou Morrer" (2014) Wes Ball; lá Jenkins conheceu Adele Romanski e James Laxton, que trabalharam em "Moonlight" como produtora e diretor de fotografia respectivamente.
  Em 2008, lançou seu primeiro filme, "Medicine for Melancholy", o filme feito com apenas $15.000 estreou em alguns festivais e encontrou ótima recepção pela crítica. Em busca do tema do seu segundo filme, Barry passou muito tempo se dedicando a um roteiro que envolvia Stevie Wonder e viagem no tempo- a ponto de ter confessado que durante dois anos sua vida era "só sobre" Stevie Wonder- trabalhou em um roteiro baseado no livro "If Beale Street Could Talk" (Se a Rua Beale pudesse falar)- ambos roteiros não realizados- e conseguiu um emprego como escritor da série da HBO "The Leftovers", sobre qual ele admitiu não ter tido oportunidade de fazer muita coisa. Até conseguir este emprego na TV, Jenkins trabalhou por muitos anos em uma loja da Banana Republic e no Festival de Cinema de Telluride (onde anos após "Moonlight" foi exibido); na edição de 2013 do festival, ele foi o moderador de um painel sobre "12 Anos de Escravidão"; agora ele se juntou ao diretor de "12 Anos" Steve McQueen no seleto grupo de diretores negros indicados ao Oscar. Durante todos os anos em que Jenkins não coseguiu iniciar seu segundo projeto, ele diz ter pensado em desistir do cinema e passar a dirigir comerciais de TV.



  Jenkins havia preparado um discurso caso "Moonlight" vencesse o prêmio de Melhor Filme na cerimônia do Oscar de domingo, mas não teve oportunidade de fazê-lo devido a todo o imbróglio ocorrido, mas ele foi recentemente divulgado na imprensa e é assim:“Tarell [Alvin McCraney] e eu somos Chiron. Nós somos aquele garoto. E, quando você assiste “Moonlight”, você não supõe que um garoto que cresceu como e onde crescemos iria crescer e criar uma obra de arte que ganha o Oscar. Eu falei muito disso, e eu tive que admitir que introjetei aquelas limitações em mim mesmo, eu neguei aquele sonho a mim mesmo. Não você, não qualquer outra pessoa – eu. E então, a todas as pessoas que, assistindo a isso, se enxergarem em nós, deixem que isso seja um símbolo, uma reflexão que leve vocês a amarem a si próprios. Porque fazer isso pode ser a diferença entre sonhar e, de alguma forma, graças à Academia, realizar sonhos que vocês nunca se permitiram ter. Amor”. Apesar de se identificar muito com Chiron, Jenkins não é gay como o personagem, o que não achou ser um empecilho muito grande, pois se identificava com a timidez e o modo de ser diferente da imagem de masculinidade ligada a homens negros, ele também disse que sua visão como um aliado da comunidade gay também ajudou a sua percepção. 
  Com isso, podemos perceber a enorme importância de "Moonlight" ter sido o vencedor do prêmio de Melhor Filme. Pela primeira vez, um filme com personagens negros que não é sobre escravidão ou direitos civis, com homossexualidade como tema, venceu este prêmio, e muitos outros nos últimos meses. Há muitos anos o vencedor do Oscar de Melhor Filme não era tão gratificante, talvez nunca tenha sido; não só pela representatividade, mas pela poesia que o filme trouxe que muitos não conseguem ter. Agora, o diretor que cresceu como o Chiron se vê repentinamente como o diretor com quem todo mundo quer trabalhar.

  Barry Jenkins e seus Chirons: (da esquerda para a direita) Ashton Sanders, Alex R. Hibbert e Trevante Rhodes.

  
  
  
  
  
  
  
  

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

A Chegada


  Um dos nove filmes indicados ao Oscar de Melhor Filme este ano é "A Chegada", do diretor Denis Villeneuve. A premissa do filme é simples e não muito original- alienígenas chegaram à Terra e os humanos tentam fazer contato com eles- o mesmo, no entanto, não pode ser dito da execução do filme. 


  Com uma linguista como personagem principal, o filme já se diferencia dos outros do mesmo gênero feitos nos últimos anos- sempre com um cientista como personagem principal. O que faz bastante sentido, pois quando você precisa se comunicar, você tem necessidade de um intérprete ou especialista em línguas estrangeiras. Mesmo assim, como é de se supor, o trabalho de Louise Banks (Amy Adams), a responsável por estabelecer a comunicação com os aliens, não é nada fácil. Liderando uma equipe concentrada em desvendar o que os alienígenas estão tentando lhes comunicar, Banks ainda conta com a colaboração de um físico teórico (Jeremy Renner) e trabalha em conjunto com o exército americano em um acampamento próximo a uma das naves espaciais estacionadas na Terra.


  Algo muito admirável no filme é como ele representa os alienígenas e a linguagem deles, eles não são nem um pouco moldados nos seres humanos; com muita criatividade, o filme os caracteriza como algo diferente de tudo que conhecemos, o que torna o enredo mais verossímil.
  Além do enredo principal, "A Chegada" traz vários flashbacks de um período passado de Banks como mãe, o que se relaciona com o enredo principal na ótima resolução que o filme trás. Assim, a história pode ser descrita como muito sensível, apesar de parecer por muitos momentos com um filme de ficção científica voltado aos seus assuntos extraterrestres. Amy Adams mesma descreveu o filme como "a história de uma mãe".


  Adams, aliás, é uma das grandes forças do filme; a forma como a sua personagem é forte e inteligente, mas vulnerável, e como tudo isso aparece de uma forma sutil e natural faz desta atuação uma das melhores de sua carreira e do ano.  
  Outro destaque do filme é a sua fotografia- o acampamento, a nave, o local onde eles estão- é tudo muito sóbrio, sem coisas brilhantes ou coloridas que coloque a história num futuro muito distante; "A Chegada" não se passa no futuro, então ele imagina o que acontece como seria se passando agora.
  Um dos títulos mais interessantes do ano passado, apesar de menos badalado entre os filmes indicados ao Oscar, "A Chegada" é um dos filmes lançados recentemente que mais vale a pena ser conferido.
  


segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Documentários



  Documentário é um gênero de filme bem distinto. Nem todo mundo que gosta de cinema tem um gosto para ele. Muito se acredita que os documentários são chatos ou não são capazes de proporcionar uma narrativa original. Mas nada disso é verdade, pois muito documentários são extremamente envolventes e trazem uma emoção a mais ao espectador por saber que são imagens reais e é tudo verdade.

Uma noite em 67


  Documentário nacional que narra um dos famosos festivais de música da TV brasileira no ano de 1967. Transmitido pela Rede Recorde, o festival contou com Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil e Roberto Carlos apresentando suas então inéditas "Roda Viva", "Alegria, alegria", "Domingo no Parque", entre outras. Além de acompanhar o festival como se ele estivesse acontecendo pela primeira vez, o filme narra histórias de bastidores e traz entrevistas com vários envolvidos no festival, inclusive com os seus personagens ilustres.



Rock Brasília


  Mais um documentário sobre música nacional, este apresenta a ebulição do rock na década de 1980 em Brasília. Período em que bandas como Legião Urbana, Capital Inicial e Plebe Rude surgiram. Sob a liderança de Renato Russo, esses jovens brasilienses fãs de punk rock se juntaram e após muitos obstáculos atingiram sucesso nacional com as suas bandas. 



Senna


  Uma produção inglesa sobre a vida e carreira de Ayrton Senna, do seu primeiro ano na Fórmula 1 ao fatídico ano de sua morte; com destaque às suas maiores vitórias, sua rivalidade com Alain Prost e seus esforços para tornar a Fórmula 1 um esporte mais seguro. Produzido pela mesma equipe responsável por "Amy", sobre Amy Winehouse.



O equilibrista


  Vencedor do Oscar de Melhor Documentário, "O equilibrista" conta a história de Philippe Petit, artista circense francês realizador da proeza de atravessar as torres gêmeas em uma corda bamba no ano de 1974. Com entrevista dos envolvidos,o evento é recriado a partir das entrevistas e de uma encenação, o mais interessante é observar como as pessoas envolvidas, principalmente o próprio Petit contam a sua história.



What happened, Miss Simone?



  Documentário biográfico sobre a cantora Nina Simone produzido pelo Netflix. Da sua infância ao começo do seu sucesso, sua luta incansável pelos direitos civis durante a década de 60 e sua decadência apesar do seu enorme talento. Para conhecer uma voz inesquecível de uma cantora e de uma mulher marcantes.



Citizenfour


  Mais um vencdor de Oscar, "Citizenfour" mostra em detalhes uma história que nós ouvimos muito falar na mídia há alguns anos, a de Edward Snowden. O filme acompanha o momento em que um então desconhecido técnico da NSA (agência de segurança americana) entra em contato com um jornalista, Glenn Greenwald, e a diretora do filme, Laura Poitras, para revelar como a agência espionava qualquer civil a partir da telefonia e das redes sociais. Grande parte do filme foi filmado em um quarto de hotel em Hong Kong, onde este encontro aconteceu, além de explorar a reação internacional quando a revelação é feita para os meios de comunicação. Uma produção da HBO.



Weiner


  Lançado no Festival de Sundance do ano passado, este documentário pode ser difícil de assistir. Ele acompanha a campanha para prefeito de Nova York de Anthony Weiner em 2013 após um escândalo sexual o ter forçado a abdicar seu cargo de deputado em 2011. Apesar de seu carisma e habilidade de ganhar eleitores, mais escândalos sexuais envolvendo trocas de mensagens com conteúdo explícito nas redes sociais com diversas mulheres- nenhuma delas a sua esposa- destroem a sua campanha, mesmo tendo chegado a ocupar o primeiro lugar nas pesquisas de voto. É assistir a ridícula derrocada de um político promissor a uma piada nacional.


Lixo Extraordinário


  Uma produção anglo-brasileira, "Lixo Extraordinário" acompanha um dos trabalhos mais marcantes do artista plástico Vik Muniz. Quando Muniz resolve recriar imagens de pinturas famosas usando lixo como matéria prima e catadores do aterro sanitário Jardim Gramacho como modelos. Indicado ao Oscar de Melhor Documentário em 2011.



Trabalho Interno


  Documentário que superou "Lixo Extraordinário" na disputa pelo Oscar de Melhor Documentário (há controvérsias), "Trabalho Interno" é quase maçante, mas tendo a crise de 2008 nos Estados Unidos como tema, não dá para dizer que o assunto não é interessante. Sendo capaz de ensinar termos complicados para o mais leigo em economia e explorando até os detalhes mais polêmicos da crise. Este documentário é um lembrete de como o capitalismo pode dar errado e um alerta sobre os rumos da economia do país mais poderoso do mundo. 



Amanda Knox


  Produção original do Netflix lançado no ano passado, "Amanda Knox" narra a história de Knox, uma estudante intercambista americana na Itália acusada de assassinar uma de suas colegas de quarto. O caso policial ocorrido a cerca de 10 anos ganhou destaque na mídia e dividiu opiniões entre os que achavam Knox inocente ou culpada.



Terráqueos


  Narrado por Joaquin Phoenix, este documentário vai te deixar querendo se tornar vegano. Ele explora a crueldade animal em vários ramos, mostrando como há sofrimento de animais nas várias áreas que dependem deles. Aviso: imagens fortes, muito fortes.



Eis os Delírios do Mundo Conectado



  Dirigido pelo prestigiado cineasta alemão Werner Herzog, "Eis os Delírios do Mundo Conectado" explora o impacto da Internet e das tecnologias mais avançadas na sociedade, desde o começo da Internet até os centros de reabilitação modernos para viciados em Internet.