segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Histórias de crime: Mindhunter e Meu Amigo Dahmer

Aviso: conteúdo forte na forma de menção a atos violentos.


  Existe uma coincidência muito interessante que pode acontecer em meio ao mundo de informações que nos é bombardeado- consumir dois conteúdos que se comunicam perfeitamente sem ter buscado tal efeito. Foi o que aconteceu comigo quando eu comecei a ler a HQ "Meu Amigo Dahmer" logo após ter terminado de assistir "Mindhunter". Eu preciso admitir antes de tudo que sou uma grande fã de histórias de crimes- o que eu pude explorar muito recentemente devido a várias descobertas pessoais e lançamento deste ano-. 
  "Mindhunter", série produzida por David Fincher e lançado na Netflix em outubro, é a mais popular destas duas produções; e a primeira das duas obras que eu vi. A série, uma das mais elogiadas entre as originais da Netflix tira inspiração do livro homônimo de John Douglas e Mark Olshaker e acompanha o trabalho de dois agentes do FBI e uma professora de psicologia traçando o perfil de vários psicopatas condenados; a história é verdadeira e os personagens são inspirados nas pessoas reais que desenvolveram esse trabalho. 


  O que se vê na série é uma resistência muito grande ao trabalho desenvolvido pelos personagens; a época é o final dos anos 70, o FBI não vê a utilidade dessa linha de estudo e a população só quer distância dos assassinos que os chocaram com crimes sem sentido; não muito antes dos eventos da série, os assassinatos de Sharon Tate e do casal LaBianca pela Família Manson- liderada pelo recém falecido Charles Manson- aconteceram, marcando a memória recente da sociedade na época, como apresentado por meio de muitos personagens na série. A expressão assassino em série nem existia até então, ninguém entendia esses criminosos ou queria entender. A frase de efeito jogada pelo personagem Bill Tench que leva o projeto adiante é "Como nós ficamos a frente dos loucos se não sabemos como os loucos pensam?"
  Nos mesmos estranhos anos 70 em que a história contada em Mindhunter acontece, a história de "Meu Amigo Dahmer" também se desenrola. Derf Backderf, autor da HQ, descreve a adolescência de Jeffrey Dahmer quando ambos frequentavam o ensino médio juntos. Dahmer ficou conhecido anos mais tarde como um dos mais cruéis assassinos em série que já existiu, pela quantidade de vítimas- ao menos 17- e a forma como as matou e manejou seus corpos, incluindo estupro, necrofilia, canibalismo e a desmembração e conservação de partes dos corpos de suas vítimas. A história que Backderf conta, no entanto, não retrata nenhum desses horrores, mas um jovem que apresentava um comportamento perturbador ignorado por todos.  O quadrinista conta com histórias de sua lembrança e da de amigos que também conheceram Dahmer, além de informações dadas pelo próprio assassino em entrevistas na época de sua prisão e condenação. 


  "É uma história de fracassos (...) Todo mundo fracassa: os pais dele, os professores, a direção da escola, os policiais, os amigos dele e o próprio Jeff." Descreve Backderf, que teve a ideia para o seu livro após a morte de Dahmer, assassinado na prisão, em 1994. O questionamento trazido pelo livro é da negligência a um adolescente que demonstrava problemas com alcoolismo, tinha um pai ausente e uma mãe depressiva, mas não recebeu nenhum apoio, ninguém observou como ele estava indo na direção errada. Backderf e seus amigos acolherem Dahmer por algum tempo no grupo deles e o autor notou mais tarde, fazendo entrevistas para o livro, que ninguém mais falava com ele, e então aquele grupo de amigos que o acolheu foi uma das únicas interações sociais que ele teve.
  A semelhança entre "Mindhunter" e "Meu Amigo Dahmer" pode parece óbvia, mas ambas as obras não se tratam apenas do fruto de uma curiosidade mórbida, mas de um olhar que poucas pessoas tiveram de tentar entender como um assassino em série perverso surge, como uma pessoa deixa de ser alguém normal e se torna capaz de cometer atos tão horríveis? "Continuo sem saber o motivo que o levou a se tornar essa criatura, mas documentei o processo", admitiu Backderf. 
  O contexto na vida desses assassinos, para muitos, não é o suficiente para justificas as suas ações- como aparece em "Mindhunter"- e os questionamentos, "e se?", sobre o que poderia ter sido feito diferente em relação a essas pessoas também não parece satisfazer quem investiga as mentes de psicopatas - como fica claro em "Meu Amigo Dahmer"- mas a psicologia forense e o cuidado em observar os adolescentes em fase de desenvolvimento nos propõem que mesmo esses "monstros" poderiam ser entendidos ou  até mesmo ganhado, com a ajuda certa, outro destino- um que não acabaria com a sua vida e de várias outras pessoas. 




                         

Outra coisa! "Meu Amigo Dahmer" virou filme esse ano, ele chegou às salas de cinemas americanas no dia 3 de novembro e não tem data de estreia no Brasil ainda; trailer abaixo:




   

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Dançando até o topo (Parte 2)


  No último texto, eu comecei a falar sobre atores que se destacaram pela dança antes de atuarem em filmes; todos os mencionados- Joan Crawford, Ginger Rogers, Rita Hayworth, Fred Astaire e Gene Kelly- se destacaram em Hollywood na época do sistema de estúdios, quando os atores trabalhavam exclusivamente para um estúdio e tinham suas imagens controladas por eles. Em todas as histórias, as futuras estrelas conseguiram atrair a atenção de produtores e assinar um contrato com algum estúdio. Nesta segunda parte, os atores/dançarinos se destacaram quando os estúdios tinham menos influência, ou seja, de outras formas. 

Mikhail Baryshnikov


  Mikhail Baryshnikov é uma das maiores estrelas do ballet do século XX, tendo trabalhado por décadas nas mais renomadas companhias de dança como bailarino e diretor artístico. Mas aos poucos, o bailarino letão foi construindo uma obra como ator de cinema, TV e teatro. Não é difícil dizer que Baryshnikov conseguiu suas primeiras oportunidades no cinema devido ao enorme sucesso que já fazia como bailarino no final da década de 70. É claro que, a princípio, as pessoas queriam que ele dançasse nos filmes ou interpretasse dançarinos, às vezes tirando inspiração da dramática história real de Baryshnikov- tendo desertado da União Soviética como muitos outros bailarinos da época, história do personagem que interpreta em "O Sol da Meia Noite", um dos seus filmes mais conhecidos. Os menos familiarizados com a fama do bailarino clássico ainda podem reconhecê-lo como um dos namorados de Carrie Bradshaw, personagem da Sarah Jessica Parker em "Sex and the City". Seu primeiro papel no cinema foi interpretando um bailarino conquistador em "Momento de decisão"(1977), que já lhe rendeu uma indicação ao Oscar. O reconhecimento imediato pelo seu talento como ator também aconteceu no teatro, onde Misha- como é apelidado- trabalha frequentemente com peças vanguardistas e recebeu uma indicação ao Tony pela sua estréia na Broadway no papel principal de "A Metamorfose", de Kafka. Ele ainda teve a oportunidade de trabalhar em adaptações de dramaturgos clássicos como Anton Tchekov e Samuel Beckett. Nos últimos anos, Misha esteve no palco com Willem Dafoe na peçã "The Old Woman", que passou no Brasil em turnê.


Patrick Swayze



  Patrick Swayze nasceu filho de uma mãe dançarina e professora de dança, logo, nada mais natural do que ter sido iniciado na dança ainda criança. Após ter passado pelo ballet, Swayze também estudou patinação artística, lutas marciais como Wushu, Taekwondo e Aikidô e atuação. Porém, seu foco e seu objetivo eram uma carreira como dançarino, até uma lesão no joelho impedir esta expectativa, mas o jovem Swayze era habilidoso o suficiente para ter mais opções. Ele ainda conseguiu concluir seus estudos em dança em Nova York, onde começou a aparecer na Broadway, o que o levou a papéis no cinema. A dança ainda não tinha ficado no seu passado, já que como ator, Swayze ganharia fama interpretando um instrutor de dança em "Dirty Dancing"(1987), filme que tem fãs até hoje. Swayze fez sua carreira unindo as duas atividades que ele dominava muito bem- dança e atuação; logo após "Dirty Dancing", veio "Ghost- Do outro lado da vida"(1990), outro filme de enorme popularidade do ator que atravessou décadas encantando novos fãs e não contou com os passos de dança do ator. Conquistando personagens interpretadas por Jennifer Grey e Demi Moore no cinema, o apelo sexual de Swayze- também associado ao seu ritmo em vários estilos de dança- atraiu atenção, fazendo o ator se eleito o homem mais sexy do mundo pela revista People em 1991- no auge da sua popularidade. Naquele mesmo ano, Swayze tinha adicionado mais um hit de público na sua carreira com "Caçadores de Emoção", ao lado de Keanu Reeves e sob direção de Kathryn Bigelow. O ator ainda teve papéis marcantes em filmes como "Donnie Darko" e voltou a interpretar um dançarino no filme dirigido pela sua esposa, "A Última Dança", até nos deixar cedo demais em 2009, aos 57 anos, vítima de um câncer pancreático. Contrariando o fim da sua vida e carreira, Patrick Swayze continua encantando fãs do cinema seja pelas suas habilidades na dança ou nas artes dramáticas nos seus filmes tão adorados, que nunca são esquecidos.



Madhuri Dixit



  Não é incomum que os atores de Bollywood- a muito lucrativa indústria cinematográfica indiana- tenham treinamento em dança e canto, afinal, muitas produções do país são musicais. Madhuri Dixit, uma consagrada estrela de Bollywood, marcou os expectadores do cinema hindi com os seus movimentos impressionantes. A relação de Madhuri com a dança começou muito cedo, aos 3 anos ela já sonhava em dançar, começando a praticar a forma de dança clássica indiana Kathak, na qual ela posteriormente se profissionalizou. Com seu impressionante talento e beleza, Madhuri conseguiu estrear no cinema ainda bastante jovem no filme "Abodh" (1984), apesar de não visar uma carreira como atriz na época. O filme não fez sucesso, apesar da participação de Madhuri, ter se destacado e a jovem atriz ainda teria que esperar alguns anos até ver seus filmes conquistarem o público. Em "Tezaab"(1988), a atriz/dançarina alcança o estrelato, começando a sua bem-sucedida carreira no cinema, Madhuri foi se tornando progressivamente mais popular ao ponto de ser a atriz indiana mais bem paga no ano 2000. Seus papéis em "Khalnayak", "Anjaam", "Hum Aapke Hain Koun..!"- o qual obteve durante sete anos o recorde de filme de maior bilheteria do cinema hindi- "Raja", "Devdas" e em vários outros filmes de sucesso na sua carreira que já se estende por três décadas provam que o talento de Madhuri marcou o cinema. 



Sergei Polunin


  Com um talento que lhe rendeu comparações a  Rudolf Nureyev, o bailarino e ator aspirante ucraniano Sergei Polunin já começa a fazer um nome que vai além de sua fama no mundo do ballet clássico. Polunin foi o bailarino mais jovem da história do Royal Ballet, de Londres, a alcançar o posto de primeiro bailarino- com apenas 19 anos. Em 2012, ele surpreendeu o mundo se demitindo da companhia, ganhou fama de bad boy, de "enfant terrible", ele queria mais possibilidades do que a tradicional companhia de seu país de adoção podia dar. Continuou dançando, apesar de dizer que queria parar em um futuro próximo, e mostrou suas ambições que o mundo não pôde compreender antes, iniciando vários projetos por conta própria e mantendo a atenção da mídia- boa ou ruim- em seus trabalhos. Começou a conquistar outros meios além com a palco na internet, com uma coreografia para a música "Take me to church" de Hozier que o levou ao programa da Ellen DeGeneres e o apresentou a um novo público. O pontapé de sua carreira cinematográfica está para acontecer, com a nova adaptação de "Assassinato no Expresso Oriente" de Agatha Christie, onde Polunin conseguiu se infiltrar em um elenco estreladíssimo- Judi Dench, Penélope Cruz, Johnny Depp, Michelle Pfeiffer, Willem Dafoe- sob a direção do consagrado ator e diretor Kenneth Branagh. Os projetos futuros de Polunin são igualmente esperados: uma dramatização da deserção de Rudolf Nureyev e papéis menores em "Operação Red Sparrow", com Jennifer Lawrence, e uma nova adaptação da Disney de "O Quebra Nozes" com Keira Knightley e Morgan Freeman no elenco. Seguindo os passos de Baryshnikov, Polunin conseguiu entrar na indústria cinematográfica, onde suas habilidades estão para serem provadas.


quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Dançando até o topo (Parte 1)



 Na chamada Era de Ouro de Hollywood muitos musicais eram feitos e mesmo nos filmes que não fossem musicais, um número de dança não era estranho. Assim, muitas estrelas de cinema conseguiram se destacar no showbiz pelas suas habilidades como dançarinos. Mesmo após o enfraquecimento dos estúdios e uma quantidade consideravelmente menor de musicais sendo feitos, muitos atores dão seus primeiros passos para uma carreira no cinema pela dança.

Joan Crawford


  Joan, nascida com o nome de Lucille LeSueur, foi descoberta por um produtor em Detroit onde ela se apresentava na década de 20 e ele a colocou no grupo de dançarinas do seu show na Broadway. Pouco tempo depois, a atriz e dançarina fez um teste com um produtor de Hollywood e assinou o seu primeiro contrato com a MGM. Após seus primeiros filmes, ouviu a recomendação que deveria mudar de nome, seu nome parecia "inventado", apesar de ser seu nome verdadeiro (ela ainda chegou a ser creditada pelo seu nome de nascença em suas primeiras aparições em filmes). Frustrada com os papéis pequenos que era dada, Joan começou a se expor em Hollywood visando se promover, e suas habilidades como dançarina foram o que atraiu atenção mais uma vez- ela participou e ganhou muitas competições de dança da noite hollywoodiana. Ela alcançou o seu objetivo e conseguiu papéis de maior destaque nas produções seguintes em que participou; nesses filmes, Joan passou a encorporar a "flapper"- como eram chamadas as garotas da década de 20 que viviam de forma não convencional, vestindo roupas curtas e saindo para beber e dançar- estilo de vida que se destacava junto com a ascensão do jazz, e no caso de Joan, assim como no de Clara Bow e de outras atrizes da época, isso lhe trouxe muita popularidade, principalmente entre o público feminino. Esse tipo de personagem deu a Joan a oportunidade de aparecer em muitos números de dança nos seus primeiros filmes de sucesso. Joan não continuaria dançando muito durante em seus filmes, a sua carreira evoluiu para um caminho mais "sério", ela se tornou um sex symbol e depois uma atriz respeitada, mas este ícone do cinema deu seus primeiros passos em Hollywood pela dança.



Ginger Rogers


  "Minha mãe me disse que eu dançava antes de nascer. Ela sentia os meus dedos dos pés sapateando intensamente dentro dela por meses." Romantizou Virginia McMath, ou como você talvez a conheça, Ginger Rogers. A atriz começou a dançar e cantar muito jovem e entrou na cena do vaudeville (gênero teatral com muita música e dança) ainda adolescente. Enquanto fazia turnê com o seu número de vaudeville, Ginger começou a conseguir trabalhos em Nova York, o que a levou à Broadway- fazendo sua estréia no Natal de 1929 com o musical "Top Speed". Apenas algumas semanas depois da sua estréia, Ginger entrou no elenco do musical "Girl Crazy" de George Gershwin e Ira Gershwin; com esse segundo trabalho no teatro musical, ela ganhou fama na Broadway aos 19 anos de idade. Nos anos seguintes, Ginger começou a aparecer em filmes e em 1933 fez seu primeiro filme musical com Fred Astaire, inaugurando uma parceria que iria durar pelo resto década e resultar em filmes de grande popularidade.  "Fred e Ginger" tinham números de dança complicados e cheios de elegância, cantando canções originais feitos pelos compositores mais populares da época em um mundo de glamour e sonho criado nos filmes para um público americano que passava pela Grande Depressão- começada em 1929 e se alastrando pelá década de 30. Fred Astaire teve outras parceiras de dança em seus filmes, principalmente após Ginger ter começado  a focar em filmes de  drama e comédias, mas a sua parceria com Ginger continua sendo a mais famosa, também tendo sido considerada pelo próprio Astaire como sua parceira predileta. Sobre os dois, a atriz disse: "Eu faço tudo que o homem faz, só que para trás e de salto alto!" Com o reconhecimento que Astaire tem hoje, Ginger pode parecer meio delirante dizendo isso, mas na verdade, ela nunca ganhou o devido reconhecimento pelo trabalho que fez nos musicais com o famoso dançarino. Ela tinha que acompanhar as coreografias de Astaire sendo bem menos experiente, dançar com salto- que era a norma- e vestindo vestidos longos e pesados feitos para ficarem bonitos na tela, e não para dança profissional. Ginger Rogers não apenas ganhou espaço pela dança, mas fez uma de suas grandes marcas no cinema com ela.





Rita Hayworth


  Rita Hayworth é mais lembrada hoje como Gilda no filme noir de mesmo nome, muito também devido à referência a esse papel em "Um Sonho de Liberdade" (1994). Mas ela também foi uma das parceiras mais sublimes de Fred Astaire em filmes musicais, graças a sua extensa experiência com dança anterior à sua carreira no cinema. O pai de Rita, Eduardo Cansino, era um coreógrafo espanhol, e a atriz começa a ter aulas de dança aos três anos de idade, começou a se apresentar em público aos seis anos e virou parceira de dança do seu pai em apresentações em cassinos aos 12 anos. Foi vista dançando com o seu pai por um produtor de Hollywood e conseguiu um contrato com a Fox, suas primeiras aparições em filmes: dançando ou interpretando dançarinas. Depois vieram pequenos papéis com falas e os produtores do estúdio ganharam interesse em torná-la uma estrela, apagaram os seus traços hispânicos- que a deixava apenas os papéis de personagens "exóticas"- mudando o seu nome de Rita Cansino para Rita Hayworth e pintando seu cabelo moreno de vermelho escuro. Assim é conhecida hoje a atriz das femme fatales dos filmes noir que nasceu com o nome Margarita Carmen Cansino e dançava o bolero. 



Fred Astaire


  Falar de dança no cinema é quase o mesmo que falar em Fred Astaire, o mais famoso e produtivo dançarino das telonas era acima de tudo isso- um dançarino- mais do que um ator ou cantor. Fred começou a ter aulas de dança ainda criança- contra a sua vontade- devido à ambição de sua mãe de tornar ele e sua irmã estrelas do vaudeville (onde números com irmãos eram populares). Fred e sua irmã, Adele, conseguiram sucesso ainda crianças e continuaram dançando juntos até a vida adulta, aparecendo em produções na Broadway e em Londres. Quando a irmã Astaire se casa, Fred fica sem parceira, o que teve um grande impacto nele; assim, ele passa a expandir seus horizontes e a fazer testes para os estúdios de Hollywood após muitos anos de carreira no palco e de ter até sido considerado o melhor sapateador do mundo.  Talvez pela sua aparência, por não ser muito jovem ou por não ter grandes habilidades com atuação, Fred não conquistou os produtores de Hollywood imediatamente, mas o seu talento com a dança provou um charme que depois foi reconhecido como irresistível para as câmeras e em 1933 ele teve sua estréia no cinema em "O Turbilhão da Dança ", com Joan Crawford. Naquele mesmo ano, ele aparece com Ginger Rogers em "Voando para o Rio"- o início da parceria Rogers-Astaire. Após os filmes com Ginger durante a década de 30 que se tornaram os mais lucrativos do estúdio RKO até então, alguns fracassos ou sucessos mais tímidos- que não cobriam os custos de produção- fizeram Fred abandonar o estúdio que lançou sua carreira cinematográfica e começar a trabalhar como freelance, o que também foi o fim de sua parceria Rogers (que teve uma volta na produção da MGM "Ciúme, sinal de amor" em 1949, o único filme em cores estrelado pela dupla). O que seguiu à decisão de Astaire foi duas décadas de muitos filmes onde o ator e dançarino impressionava o público com o seu talento e classe. Nas décadas de 60 e 70, Fred começa a aparecer em filmes e programas de TV em que não dançava e chegou a ser indicado a um Oscar em 1974 por "Inferno na Torre". Fred morreu em 1987, aos 88 anos, Gene Kelly, Michael Jackson, George Balanchine, Jerome Robbins (que coreografou um ballet em sua homenagem), Rudolf Nureyev, Mikhail Baryshnikov e Madhuri Dixit são alguns nomes que nomearam Astaire como fonte de inspiração. Hoje você pode se deleitar com horas e horas de dança de Fred Astaire em seus filmes e em vídeos na internet.



Fred e sua irmã, Adele, em 1906, quando ela tinha dez anos e ele, seis.

Gene Kelly


  Gene Kelly, com certeza, não se imaginava como um ator de cinema quando era mais jovem; ele começou a dançar na adolescência e continuou quando entrou na universidade para estudar jornalismo, depois mudando para economia e direito, até perceber que a dança- que lhe dava uma renda extra- era o que queria fazer. Kelly ensinava dança e conseguiu abrir uma acadêmia de dança junto de sua família. Desencantado com o ensino e buscando oportunidades como coreógrafo, Kelly se mudou para Nova York. Ele não encontrou sucesso de imediato, ainda tendo que voltar para a sua Pittsburgh natal antes de se destacar na Broadway coreografando e se apresentando; ofertas de Hollywood vieram e o dançarino/coreógrafo, apesar de hesitante em deixar Nova York, assinou um contrato com o produtor David O. Selznick, que logo depois o vendeu para a MGM. Ele estreou em um musical com Judy Garland em 1942, "For Me and My Gal", e continuou aparecendo em vários musicais durante a década de 40, atuando ao lado de Lucille Ball, Rita Hayworth e Frank Sinatra. Seu grande legado porém seria deixado no início na década de 50: com "Sinfonia em Paris", em 1951, e "Cantando na Chuva" em 1952. O segundo, que ele também dirigiu e coreografou, e por qual provavelmente seja mais reconhecido devido ao famoso número da música "Singin' in the Rain", além de "Moses Supposes" junto a Donald O'Connor e "Broadway Melody" com Cyd Charisse.  Deve-se exaltar as habilidades de Kelly como coreógrafo, só de olhar para fotos de alguns números criados para os seus filmes já é possível ver a beleza plástica que o ator levava à tela criando e dançando.