sábado, 3 de fevereiro de 2018

A Revolução das Mulheres de Hollywood

Capa da edição anual da revista Time com as pessoas do ano.

  A Revolução de 2017. No segundo semestre do ano passado, algumas atrizes famosas e nem tão famosas começaram a acusar o produtor Harvey Weinstein de lhes ter assediado ou até estuprado. As suas narrativas formaram uma história comum e um perfil predatório de homens bem sucedidos que até então estava escondido debaixo do tapete. Mas agora não está mais.
  Pela primeira vez, uma mudança social começou com mulheres famosas e privilegiadas e se espalhou por vários setores da sociedade. O movimento #MeToo (Eu também) criado pela ativista Tarana Burke se tornou viral no Twitter e outras redes sociais  pela atriz Alyssa Milano- foi então a oportunidade para várias mulheres revelarem situações de assédio e violência sexual sofridas no ambiente de trabalho. A tag foi mencionada por mulheres de diversos países, classes sociais e ramos de trabalho. Logo no primeiro dia do ano, Reese Witherspoon e outras atrizes se juntaram para lançar o movimento Time's Up (acabou o tempo) sob o qual várias atrizes protestaram usando preto na cerimônia do Globo de Ouro deste ano, a primeira grande premiação da temporada.
  Mas nada surge de repente, antes de #MeToo e Time's Up, as mulheres do Vale do Silício denunciaram ambientes de misoginia em suas empresas, tendo acabado especialmente mal para o Über, ainda no começo do ano. Kesha batalhou na justiça para ver seu abusador ser punido e não teve a satisfação de ver a justiça sendo feita- um caso amplamente acompanhado pelos portais de notícia ainda em 2016. Acusações feitas em 2010 contra o ator Casey Affleck de produtoras do filme dirigido por ele voltaram a ganhar atenção ano passado com o sucesso do ator nas premiações- que não foi alterado pelas acusações, mas também não foi bem aceitado por muitas partes, inclusive pela atriz que lhe entregou o Oscar e outras prêmios precedentes, Brie Larson, que chegou a deixar de aplaudir o ator após sua conquista do Oscar. Quebrando a tradição do vencedor de um ano entregar o prêmio para o vencedor do ano seguinte, Casey Affleck não foi convidado para participar da cerimônia do Oscar este ano; além do caso mais atual de James Franco, que foi indicado a vários prêmios antes de ser acusado de assédio e ficou ausente entre os indicados ao Oscar. No âmbito nacional, este foi o ano em que um ator com uma longa carreira nas telenovelas, José Mayer, foi acusado de assédio por maquiadoras e outras profissionais da equipe de apoio, que ganharam apoio de atrizes e atores da Globo, causando a perca de um papel que o ator estava escalado para interpretar. 

O produtor cinematográfico Harvey Weinstein.

  Entre esses dois momentos, as acusações contra Harvey Weinstein mudaram o jogo, o que foi seguido pela exposição do comportamento tóxico de Kevin Spacey e Louis C.K., além de acusações isoladas a James Franco, Ben Affleck, Ed Westwick, entre outros. O que esse momento mostrou, quando atrizes de alto calibre como Angelina Jolie acusaram o produtor com detalhes sobre quando e como o assédio aconteceu e viram seus relatos serem ecoados por dezenas de outros que contavam exatamente a mesma história, foi o que um homem visto como amigável era capaz de fazer quando ninguém estava olhando e a extensão dos casos de abuso, quando só se falava de um profissional de poder em uma indústria- era tudo só a ponta do iceberg . O assédio deixou de ser uma mão no joelho e uma cantada vulgar, mas uma coerção violenta para que mulheres tivessem relações sexuais contra a sua vontade que inclui resistência física e ameaças profissionais ou até de morte. Veículos como The New York Times e The New Yorker decidiram se dedicar a expor mais e mais casos, mais e mais abusadores, dando a palavra às vítimas, o que deu origem a relatos tocantes e emocionantes de atrizes como Lupita Nyong'o e Salma Hayek- também vítimas de Weinstein- que por trás de todo o glamour de suas vidas e carreiras ficaram vulneráveis a um homem fisicamente intimidante ("ele é grande", foi o que várias vítimas disseram ao explicarem o porquê de terem tido dificuldade em sair da situação) e com poder para alterar o rumo de  suas suas carreiras. 

Salma Hayek (dir.) e Lupita Nyong'o (esq.), duas das 84 mulheres que acusaram Harvey Weinstein de assédio.

  Em apoio às atrizes de Hollywood, trabalhadoras rurais latinas escreveram uma carta de solidariedade e compartilharam suas próprias histórias de assédio em ambiente de trabalho, escrita em nome de aproximadamente 700 mil mulheres. Monica Ramirez, uma das co-fundadoras da Alianza Nacional de Campesinas, a organização que assinou a carta das agricultoras, acompanhou a atriz Laura Dern na cerimônia do Globo de Ouro; atitude replicada por Michelle Williams, que levou Tarana Burke como acompanhante, Emma Watson com Marai Larasi, Susan Sarandon com Rosa Clemente, Amy Poehler com Saru Jayaraman, Emma Stone com Billie Jean King, Meryl Streep com Ai-Jen Poo, Shailene Woodley com Calina Lawrence e Angelina Jolie com Loung Ung, todas ativistas de diferentes comunidades que trabalham em prol das mulheres, principalmente as de minorias étnicas. 

Michelle Williams (esq.) e Tarana Burke (dir.) no tapete vermelho do Globo de Ouro.

   A Revista Time, que sempre elege uma personalidade conhecida como pessoa do ano, elegeu não só uma, mas um conjunto de mulheres que chamou de "silence breakers" (rompedoras de silêncio): mulheres que denunciaram publicamente o assédio sofrido em seus ambientes de trabalho. Na edição da revista dedicada a elas, todas falam do medo que sentiram, não o do momento do assédio, mas o que tiveram antes de falar publicamente sobre o que aconteceu e dar nome ao culpado: receio sobre o que seus familiares iriam pensar, o que seria de suas reputações e carreiras, também falam do arrependimento, de como deixaram os agressores livres para continuar abusando outras mulheres durante o tempo em que ficaram em silêncio sobre a violência que sofreram. Mas todas deixam o sentimento de culpa, o que acompanha tantas mulheres que tentam enfrentar homens poderosos, junto com o medo já abandonado dizendo: "eu sofri abuso e estou falando para que as pessoas conheçam a minha história e outras mulheres não sofram o mesmo." 
  Como muitos sabem, nem todo mundo se convenceu da validade dos testemunhos das mulheres do #MeToo e Time's Up; um grupo de artistas e acadêmicas francesas assinaram uma carta que questionava as causas e os efeitos da onda de acusações de assédio. Elas confundiram as noções de violência sexual e sexualidade, o que não é de hoje. Defender liberdade sexual não significa apoiar atitudes masculinas tóxicas (as quais não são intrínsecas à masculinidade), violência sexual se refere a violência e não a sexualidade, é crime e não um exercício saudável de sexualidade masculina; homens não assediam e estupram porque se sentem extremamente atraídos ou não conseguem controlar seus instintos sexuais, mas porque sabem que podem, que têm um passe livre para isso, não importa as leis que eles mesmos assinaram, porque as mulheres que denunciavam estupro ou assédio nunca eram levadas à sério. Mas o tempo deles acabou, como Oprah Winfrey disse no Globo de Ouro, e o que vem agora é, para mencionar novamente o discurso de Oprah, um tempo "onde ninguém precisará dizer 'eu também' de novo."  

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Histórias de crime: Mindhunter e Meu Amigo Dahmer

Aviso: conteúdo forte na forma de menção a atos violentos.


  Existe uma coincidência muito interessante que pode acontecer em meio ao mundo de informações que nos é bombardeado- consumir dois conteúdos que se comunicam perfeitamente sem ter buscado tal efeito. Foi o que aconteceu comigo quando eu comecei a ler a HQ "Meu Amigo Dahmer" logo após ter terminado de assistir "Mindhunter". Eu preciso admitir antes de tudo que sou uma grande fã de histórias de crimes- o que eu pude explorar muito recentemente devido a várias descobertas pessoais e lançamento deste ano-. 
  "Mindhunter", série produzida por David Fincher e lançado na Netflix em outubro, é a mais popular destas duas produções; e a primeira das duas obras que eu vi. A série, uma das mais elogiadas entre as originais da Netflix tira inspiração do livro homônimo de John Douglas e Mark Olshaker e acompanha o trabalho de dois agentes do FBI e uma professora de psicologia traçando o perfil de vários psicopatas condenados; a história é verdadeira e os personagens são inspirados nas pessoas reais que desenvolveram esse trabalho. 


  O que se vê na série é uma resistência muito grande ao trabalho desenvolvido pelos personagens; a época é o final dos anos 70, o FBI não vê a utilidade dessa linha de estudo e a população só quer distância dos assassinos que os chocaram com crimes sem sentido; não muito antes dos eventos da série, os assassinatos de Sharon Tate e do casal LaBianca pela Família Manson- liderada pelo recém falecido Charles Manson- aconteceram, marcando a memória recente da sociedade na época, como apresentado por meio de muitos personagens na série. A expressão assassino em série nem existia até então, ninguém entendia esses criminosos ou queria entender. A frase de efeito jogada pelo personagem Bill Tench que leva o projeto adiante é "Como nós ficamos a frente dos loucos se não sabemos como os loucos pensam?"
  Nos mesmos estranhos anos 70 em que a história contada em Mindhunter acontece, a história de "Meu Amigo Dahmer" também se desenrola. Derf Backderf, autor da HQ, descreve a adolescência de Jeffrey Dahmer quando ambos frequentavam o ensino médio juntos. Dahmer ficou conhecido anos mais tarde como um dos mais cruéis assassinos em série que já existiu, pela quantidade de vítimas- ao menos 17- e a forma como as matou e manejou seus corpos, incluindo estupro, necrofilia, canibalismo e a desmembração e conservação de partes dos corpos de suas vítimas. A história que Backderf conta, no entanto, não retrata nenhum desses horrores, mas um jovem que apresentava um comportamento perturbador ignorado por todos.  O quadrinista conta com histórias de sua lembrança e da de amigos que também conheceram Dahmer, além de informações dadas pelo próprio assassino em entrevistas na época de sua prisão e condenação. 


  "É uma história de fracassos (...) Todo mundo fracassa: os pais dele, os professores, a direção da escola, os policiais, os amigos dele e o próprio Jeff." Descreve Backderf, que teve a ideia para o seu livro após a morte de Dahmer, assassinado na prisão, em 1994. O questionamento trazido pelo livro é da negligência a um adolescente que demonstrava problemas com alcoolismo, tinha um pai ausente e uma mãe depressiva, mas não recebeu nenhum apoio, ninguém observou como ele estava indo na direção errada. Backderf e seus amigos acolherem Dahmer por algum tempo no grupo deles e o autor notou mais tarde, fazendo entrevistas para o livro, que ninguém mais falava com ele, e então aquele grupo de amigos que o acolheu foi uma das únicas interações sociais que ele teve.
  A semelhança entre "Mindhunter" e "Meu Amigo Dahmer" pode parece óbvia, mas ambas as obras não se tratam apenas do fruto de uma curiosidade mórbida, mas de um olhar que poucas pessoas tiveram de tentar entender como um assassino em série perverso surge, como uma pessoa deixa de ser alguém normal e se torna capaz de cometer atos tão horríveis? "Continuo sem saber o motivo que o levou a se tornar essa criatura, mas documentei o processo", admitiu Backderf. 
  O contexto na vida desses assassinos, para muitos, não é o suficiente para justificas as suas ações- como aparece em "Mindhunter"- e os questionamentos, "e se?", sobre o que poderia ter sido feito diferente em relação a essas pessoas também não parece satisfazer quem investiga as mentes de psicopatas - como fica claro em "Meu Amigo Dahmer"- mas a psicologia forense e o cuidado em observar os adolescentes em fase de desenvolvimento nos propõem que mesmo esses "monstros" poderiam ser entendidos ou  até mesmo ganhado, com a ajuda certa, outro destino- um que não acabaria com a sua vida e de várias outras pessoas. 




                         

Outra coisa! "Meu Amigo Dahmer" virou filme esse ano, ele chegou às salas de cinemas americanas no dia 3 de novembro e não tem data de estreia no Brasil ainda; trailer abaixo:




   

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Dançando até o topo (Parte 2)


  No último texto, eu comecei a falar sobre atores que se destacaram pela dança antes de atuarem em filmes; todos os mencionados- Joan Crawford, Ginger Rogers, Rita Hayworth, Fred Astaire e Gene Kelly- se destacaram em Hollywood na época do sistema de estúdios, quando os atores trabalhavam exclusivamente para um estúdio e tinham suas imagens controladas por eles. Em todas as histórias, as futuras estrelas conseguiram atrair a atenção de produtores e assinar um contrato com algum estúdio. Nesta segunda parte, os atores/dançarinos se destacaram quando os estúdios tinham menos influência, ou seja, de outras formas. 

Mikhail Baryshnikov


  Mikhail Baryshnikov é uma das maiores estrelas do ballet do século XX, tendo trabalhado por décadas nas mais renomadas companhias de dança como bailarino e diretor artístico. Mas aos poucos, o bailarino letão foi construindo uma obra como ator de cinema, TV e teatro. Não é difícil dizer que Baryshnikov conseguiu suas primeiras oportunidades no cinema devido ao enorme sucesso que já fazia como bailarino no final da década de 70. É claro que, a princípio, as pessoas queriam que ele dançasse nos filmes ou interpretasse dançarinos, às vezes tirando inspiração da dramática história real de Baryshnikov- tendo desertado da União Soviética como muitos outros bailarinos da época, história do personagem que interpreta em "O Sol da Meia Noite", um dos seus filmes mais conhecidos. Os menos familiarizados com a fama do bailarino clássico ainda podem reconhecê-lo como um dos namorados de Carrie Bradshaw, personagem da Sarah Jessica Parker em "Sex and the City". Seu primeiro papel no cinema foi interpretando um bailarino conquistador em "Momento de decisão"(1977), que já lhe rendeu uma indicação ao Oscar. O reconhecimento imediato pelo seu talento como ator também aconteceu no teatro, onde Misha- como é apelidado- trabalha frequentemente com peças vanguardistas e recebeu uma indicação ao Tony pela sua estréia na Broadway no papel principal de "A Metamorfose", de Kafka. Ele ainda teve a oportunidade de trabalhar em adaptações de dramaturgos clássicos como Anton Tchekov e Samuel Beckett. Nos últimos anos, Misha esteve no palco com Willem Dafoe na peçã "The Old Woman", que passou no Brasil em turnê.


Patrick Swayze



  Patrick Swayze nasceu filho de uma mãe dançarina e professora de dança, logo, nada mais natural do que ter sido iniciado na dança ainda criança. Após ter passado pelo ballet, Swayze também estudou patinação artística, lutas marciais como Wushu, Taekwondo e Aikidô e atuação. Porém, seu foco e seu objetivo eram uma carreira como dançarino, até uma lesão no joelho impedir esta expectativa, mas o jovem Swayze era habilidoso o suficiente para ter mais opções. Ele ainda conseguiu concluir seus estudos em dança em Nova York, onde começou a aparecer na Broadway, o que o levou a papéis no cinema. A dança ainda não tinha ficado no seu passado, já que como ator, Swayze ganharia fama interpretando um instrutor de dança em "Dirty Dancing"(1987), filme que tem fãs até hoje. Swayze fez sua carreira unindo as duas atividades que ele dominava muito bem- dança e atuação; logo após "Dirty Dancing", veio "Ghost- Do outro lado da vida"(1990), outro filme de enorme popularidade do ator que atravessou décadas encantando novos fãs e não contou com os passos de dança do ator. Conquistando personagens interpretadas por Jennifer Grey e Demi Moore no cinema, o apelo sexual de Swayze- também associado ao seu ritmo em vários estilos de dança- atraiu atenção, fazendo o ator se eleito o homem mais sexy do mundo pela revista People em 1991- no auge da sua popularidade. Naquele mesmo ano, Swayze tinha adicionado mais um hit de público na sua carreira com "Caçadores de Emoção", ao lado de Keanu Reeves e sob direção de Kathryn Bigelow. O ator ainda teve papéis marcantes em filmes como "Donnie Darko" e voltou a interpretar um dançarino no filme dirigido pela sua esposa, "A Última Dança", até nos deixar cedo demais em 2009, aos 57 anos, vítima de um câncer pancreático. Contrariando o fim da sua vida e carreira, Patrick Swayze continua encantando fãs do cinema seja pelas suas habilidades na dança ou nas artes dramáticas nos seus filmes tão adorados, que nunca são esquecidos.



Madhuri Dixit



  Não é incomum que os atores de Bollywood- a muito lucrativa indústria cinematográfica indiana- tenham treinamento em dança e canto, afinal, muitas produções do país são musicais. Madhuri Dixit, uma consagrada estrela de Bollywood, marcou os expectadores do cinema hindi com os seus movimentos impressionantes. A relação de Madhuri com a dança começou muito cedo, aos 3 anos ela já sonhava em dançar, começando a praticar a forma de dança clássica indiana Kathak, na qual ela posteriormente se profissionalizou. Com seu impressionante talento e beleza, Madhuri conseguiu estrear no cinema ainda bastante jovem no filme "Abodh" (1984), apesar de não visar uma carreira como atriz na época. O filme não fez sucesso, apesar da participação de Madhuri, ter se destacado e a jovem atriz ainda teria que esperar alguns anos até ver seus filmes conquistarem o público. Em "Tezaab"(1988), a atriz/dançarina alcança o estrelato, começando a sua bem-sucedida carreira no cinema, Madhuri foi se tornando progressivamente mais popular ao ponto de ser a atriz indiana mais bem paga no ano 2000. Seus papéis em "Khalnayak", "Anjaam", "Hum Aapke Hain Koun..!"- o qual obteve durante sete anos o recorde de filme de maior bilheteria do cinema hindi- "Raja", "Devdas" e em vários outros filmes de sucesso na sua carreira que já se estende por três décadas provam que o talento de Madhuri marcou o cinema. 



Sergei Polunin


  Com um talento que lhe rendeu comparações a  Rudolf Nureyev, o bailarino e ator aspirante ucraniano Sergei Polunin já começa a fazer um nome que vai além de sua fama no mundo do ballet clássico. Polunin foi o bailarino mais jovem da história do Royal Ballet, de Londres, a alcançar o posto de primeiro bailarino- com apenas 19 anos. Em 2012, ele surpreendeu o mundo se demitindo da companhia, ganhou fama de bad boy, de "enfant terrible", ele queria mais possibilidades do que a tradicional companhia de seu país de adoção podia dar. Continuou dançando, apesar de dizer que queria parar em um futuro próximo, e mostrou suas ambições que o mundo não pôde compreender antes, iniciando vários projetos por conta própria e mantendo a atenção da mídia- boa ou ruim- em seus trabalhos. Começou a conquistar outros meios além com a palco na internet, com uma coreografia para a música "Take me to church" de Hozier que o levou ao programa da Ellen DeGeneres e o apresentou a um novo público. O pontapé de sua carreira cinematográfica está para acontecer, com a nova adaptação de "Assassinato no Expresso Oriente" de Agatha Christie, onde Polunin conseguiu se infiltrar em um elenco estreladíssimo- Judi Dench, Penélope Cruz, Johnny Depp, Michelle Pfeiffer, Willem Dafoe- sob a direção do consagrado ator e diretor Kenneth Branagh. Os projetos futuros de Polunin são igualmente esperados: uma dramatização da deserção de Rudolf Nureyev e papéis menores em "Operação Red Sparrow", com Jennifer Lawrence, e uma nova adaptação da Disney de "O Quebra Nozes" com Keira Knightley e Morgan Freeman no elenco. Seguindo os passos de Baryshnikov, Polunin conseguiu entrar na indústria cinematográfica, onde suas habilidades estão para serem provadas.