quarta-feira, 27 de julho de 2016

Americanah



  "Americanah" é o terceiro livro de ficção da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, retratando a história de Ifemelu, uma jovem nigeriana que imigra para os Estados Unidos a fim de estudar e acaba se estabelecendo lá. 
  Dividido em seis partes, o livro se passa em três países- Nigéria, Estados Unidos e Inglaterra; sendo ao mesmo tempo uma crítica social e uma historia de amor. Ifemelu, enquanto nos Estados Unidos, cria um blog sobre a realidade racial de lá  e, ao retornar à Nigéria, reencontra o seu amor de juventude, Obinze, que também vivera no exterior, porém, como imigrante ilegal.
  Uma das melhores coisas sobre este livro é o fato de ser contado sob pontos de vista que, normalmente, não encontramos nos livros comerciais; a grande parte da narrativa é contada pela perspectiva de Ifemelu, uma mulher, negra, africana e imigrante. O que abre uma leque de observações que podem parecer diferentes à nossa realidade ou bastante familiares.

                  A personagem Black Cindy lendo "Americanah" em "Orange is the new black".

  Nas partes que se passam na Nigéria são exploradas visões de um país periférico a partir do seu próprio povo, o que pode ser uma descoberta do continente africano como ele realmente é para vários leitores. Já nos momentos que se passam nos EUA e na Inglaterra, vemos o choque cultural dos personagens nigerianos nestes países e o racismo que existe neles; uma realidade que pode ser aplicada a vários outros países. 
  "Americanah" é um livro de ficção que pode trazer muito conhecimento para quem o lê. É uma obra que faz você ver coisas que depois não podem ser desvistas e te dá uma percepção do mundo mais abrangente, no momento em que você enxerga personagens e vidas que antes não podia imaginar.
  Este livro, que foi lançado apenas em 2013, foi muito bem recebido, tendo sido agraciado com alguns prêmios e colocando Chimamanda Ngozi Adichie entre os jovens escritores mais promissores da língua inglesa. Adichie tem uma voz muito ativa quanto a assuntos como racismo e feminismo, suas palestras no TED se tornaram bem populares, em especial a que se chama "Nós deveríamos todos ser feministas" (que deu origem a outro livro dela lançado mais recentemente) a qual possui um trecho que a cantora Beyoncé utilizou na canção "Flawless". Menos conhecida, a sua palestra sobre estereótipos chamada "Os Perigos de uma História Única" também é muito interessante, vale a pena conferir ambas:




sexta-feira, 24 de junho de 2016

Game of Thrones T06E09 - "A Batalha dos Bastardos"



  O último episódio de "Game of Thrones" foi daqueles de gerar uma empolgação que há muito tempo não se via na série, após uma quinta temporada fraca e alguns episódios razoáveis depois de um bom começo na sexta temporada. Centrado em dois dos núcleos da série, o de Daenerys em Meereen e o de Jon Snow no norte, vimos estas duas tramas avançarem consideravelmente, cada herói vencendo seu antagonista; Daenerys anulando os mestres e se tornando soberana em Meereen e Jon Snow reconquistando Winterfell dos Bolton.


  Começando com Daenerys, a Mãe dos Dragões finalmente parece que vai iniciar sua caminhada em direção a Westeros para conquistar o trono que clama como seu por direito desde as primeiras temporadas, acabando com o tédio que os próprios personagens do seu núcleo sentiam e prometendo a volta de uma Daenerys conquistadora na próxima temporada. A resolução do conflito iniciado no final do episódio anterior pareceu simples, mas trouxe a ação que precisava e mostrou a khaleesi utilizando todo o seu potencial; além de que, com dragões e um exército não se precisa de muito mais. Como se o timing já não fosse perfeito, Yara e Theon Greyjoy chegam para oferecer sua frota de navios a Daenerys em troca de uma ajudinha para reconquistar a Ilha de Ferro dos seus tios, cena que rendeu um dos melhores momentos da temporada com o flerte de Yara e Daenerys (já pode shipar, Danyara ou Yanerys, ainda não há um nome definido).


  Mas a maior parte do episódio realmente foi dedicada à "Batalha dos Bastados" que dá título ao episódio, onde três personagens tiverem seus enredos muito bem delineados. Vemos Sansa se transformar em uma verdadeira estrategista no "jogo dos tronos", Jon Snow voltando a lutar por algo após a decepção da traição dos seus companheiros na Patrulha da Noite e Ramsay encontrando seu destino final em uma amarga derrota. 


  A enorme cena da batalha que dá o tom épico do episódio é tanto rica visualmente quanto dramaticamente, como torturante foi a cena em que o sádico Ramsay finge que deixará Rickon escapar só para abatê-lo bem diante dos olhos do seu irmão que ainda tentava salvá-lo. As intensas cenas de luta, muito bem filmadas, colocavam o espectador dentro do campo de combate, o cerco criado pelas tropas dos Bolton para sufocar o exército de Snow- inspirado na Batalha de Canas segundo a própria produção da série, quando os romanos ficaram presos em um semi-círculo pelos cartagineses e acabaram morrendo esmagados- criou belas imagens, em que a fotografia se destaca, e a sensação angustiante de asfixia; chegando ao seu auge quando Jon Snow quase é sufocado sendo soterrado por cadáveres, pisoteado pelos soldados e ao voltar a respirar fundo, como um "renascimento" segundo as palavras do próprio intérprete do personagem, encontra a salvação no exército do Vale trazido por Sansa e Mindinho quando tudo parecia perdido.




  Foi uma saída clichê para a situação, a salvação chegando no último minuto, mas que não tirou os méritos do episódio; a partir daí, o ritmo não desacelera, quando Jon Snow e o resto do seu exército chegam a Winterfell e ele põe as mãos, literalmente, em Ramsay, dando a satisfação que os espectadores tanto esperavam, as bandeiras da Casa Stark são hasteadas novamente, consagrando um raro final feliz à série. O fim de Ramsay, que provou do mesmo nível de crueldade a qual submetera tantos outros personagens, sendo comido vivo pelos seus "cães fiéis", foi o ponto decisivo para Sansa, que se viu pela primeira vez vencer no "jogo". Além de Sansa conseguir executar seu plano com sucesso, Ramsay passa de sua confiança excessiva a um estado de negação ao perceber sua derrota que é muito bem demonstrado; quando ele retorna a Winterfell e diz "O exército deles acabou", ele chega a se irritar quando ouve "O nosso exército acabou" de um de seus conselheiros, ele não consegue ver a reviravolta pela qual passou e ainda acha que tem chance, permanecendo assim até o último momento ao acreditar que as feras que estão ali para devorá-lo vão poupá-lo. E Jon Snow também tem sua evolução pessoal exposta; na batalha, já não é mais como fora antes, em momentos, luta perdido, sem saber onde quer chegar, até ver a possibilidade de vitória e de reconquistar Winterfell, quando só então tem sua gana recuperada.



Som dos cachorros do Ramsay o destroçando no fundo.

  Foi um grande episódio, em todos os sentidos da palavra, que deu a sensação da série está tomando o caminho certo. Esperemos que o último episódio da temporada mantenha o nível e traga desenvolvimentos satisfatórios para os outros núcleos e personagens da série. Pois quando Game of Thrones acerta, não há melhor série de TV do que isso.




Eu realmente pedi por uma morte por dragões.


segunda-feira, 13 de junho de 2016

Perfil: Oscar Isaac, um ator cujo talento está quebrando barreiras


    Não é apenas difícil para um ator vencer na indústria cinematográfica, mas também o é construir uma carreira com filmes de qualidade demonstrando performances dignas de elogios. Sendo uma minoria étnica, ainda mais difícil (infelizmente).  Oscar Isaac, no entanto, tem conseguido fazer tudo isso.
  Nascido na Guatemala em 1979 e radicado em Miami ainda na infância, Oscar Isaac, que tem como nome completo Óscar Isaac Hernández Estrada, começou sua carreira artística na comunidade teatral de Miami. Após, obteve sua formação na prestigiada Juilliard School em Nova York, onde teve Jessica Chastain como colega de turma. Ele logo começou a trabalhar em teatro, TV e cinema, tendo reconhecimento inicial pelo papel de José no filme "The Nativity Story", em 2006. Continuando a adicionar títulos a sua filmografia nos anos seguintes, vieram "Balibo"; "Che", elogiada cinebiografia do revolucionário argentino; "Robin Hood", um enorme sucesso de bilheteria; "W.E.", estreia da cantora Madonna como diretora; e o aclamado "Drive" do diretor Nicolas Winding Refn.
  Apesar de aparecer em filmes de sucesso, Isaac ainda não tinha feito um nome para si. O que começou a mudar em 2013, quando estrelou o filme dos irmãos Coen "Inside Llewyn Davis", onde interpreta um talentoso músico folk com uma carreira fracassada. Por este filme, ele foi indicado a um Globo de Ouro e passou a ter um rosto conhecido. Desde então, Isaac passou a assumir os papéis principais de seus filmes, em "Em Segredo", contracenando com Jessica Lange, "As Duas Faces de Janeiro", "O Ano Mais Violento", "Ex Machina", "Star Wars: O Despertar da Força" e "X-Men: Apocalipse".

                                                            Em "Inside Llewyn Davis".

  Eu tenho que fazer uma pausa para comentar exclusivamente sobre o ano de 2015 na carreira de Isaac, pois este foi um graaande ano para o ator. Além de "Star Wars", que foi o maior lançamento do ano passado, onde interpreta um piloto da Resistência; "O Ano Mais Violento", onde interpreta um empresário de sucesso tentando manter seus negócios em uma Nova York extremamente violenta, atuação que lhe provocou comparações com Al Pacino, e "Ex Machina", onde interpreta o CEO de uma grande empresa que convida um de seus programadores para testar um robô com inteligência artificial, foram os dois filmes mais elogiados da sua carreira após o sucesso de "Inside Llewyn Davis", tendo "Ex Machina" sido um dos mais elogiados de 2015. Neste ano, ele também apareceu na minissérie da HBO, "Show Me a Hero", onde interpreta um jovem prefeito enfrentando um dilema, papel que o consagrou com um Globo de Ouro. A partir deste momento, Oscar Isaac se torna um dos melhores atores de sua geração.

                                                       Em "O Ano Mais Violento".

                                                                Em "Ex Machina".
 
  Mas o meu propósito em escrever este texto, além de tentar fazer todos os leitores deste blog se tornarem fãs deste ser humaninho é destacar as duas coisas que mencionei a princípio. Oscar Isaac não só está construindo uma excelente carreira, mas o está fazendo driblando os estereótipos, e desta forma, mostrando para a indústria cinematográfica que é possível que atores de qualquer etnia interpretem qualquer personagem. Além de que, na maioria dos posts deste blog eu tento apresentar algo bom do cinema, e o trabalho deste ator guatemalteco vem impressionando e promete continuar assim, então conhecer seus trabalhos anteriores e ficar atento aos próximos é a minha sugestão deste post. Antes que vocês possam separar tempo para ver tantos filmes, fica aqui uma amostra do que lhes espera, curta lançado em 2014 chamado "Ticky Tacky" estrelado pelo nosso latin lover amiguinho.


  Só algumas curiosidades, Oscar Isaac entrou na lista das "100 Pessoas Mais Influentes do Mundo" da Revista Time deste ano; ele também canta, tendo usado sua voz em "Inside Llewyn Davis" e dança, como demonstrado nesta memorável cena de "Ex Machina":



                                         


Então, é isso!



                                                      E esse gif, só porque ele é ótimo.