segunda-feira, 8 de abril de 2019

Maiores estrelas do cinema por década: anos 30


  Dando a continuidade à série "Maiores Estrelas por Década", chegamos aos anos 30. Nesse momento os filmes falados estão em pleno vapor e muitos atores do teatro decidem testar a sorte nos filmes, também por causa, entre outras razões, das consequências da crise da bolsa de 1929 que esvaziou os teatros e fez alguns até se transformarem em cinemas! Alguns dos mais consagrados atores do cinema surgem nessa década devido a isso, elevando o padrão de atuação cinematográfica (ainda tida então como menos séria do que a teatral) e rendendo filmes memoráveis, como "...E o Vento Levou" (1939) e "Aconteceu Naquela Noite" (1935).

Greta Garbo


  "Eu quero ficar só", a frase mais associada a Garbo, dita no filme "Grande Hotel", foi muito associada à Garbo da vida real, talvez porque ela tenha decidido se aposentar aos 36 anos e se recolher da vida pública. Greta nasceu Greta Gustafsson na Suécia em 1905 e começou a fazer filmes em seu país natal até ser vista por Louis B. Mayer e levada aos Estados Unidos, onde após passar por uma transformação nas mãos da MGM que mudou o seu nome e a tornou o ícone de filmes lânguidos de romance ainda na década de 20 em filmes mudos. Já muito conhecida, a década de 30 começou para Greta com o seu primeiro filme falado, "Anna Christie", adaptação da peça de mesmo nome de Eugene O'Neill, com o slogan "Garbo fala!", o filme foi o mais bem sucedido nas bilheterias naquele ano e sedimentou a transição da atriz para os filmes falados ainda dando a ela a sua primeira indicação ao Oscar. Sua indicação também incluiu o seu trabalho no filme "Romance", lançado naquele mesmo ano (na época era possível um ator ser indicado por mais de uma atuação). Os sucessos iniciais nos filmes falados se repetiu com o seu icônico papel como uma espiã da vida real em "Mata Hari" (1931); e em"Grande Hotel" (1932) - primeiro filme a unir um grupo de estrelas no seu elenco: Joan Crawford, John Barrymore e Wallace Beery -; "Rainha Christina" (1932) - o primeiro do seu contrato renovado com a MGM que lhe garantiu um salário de $ 300.000 por filme, equivalente a $ 5.500.000 atualmente -; e "Anna Karenina" (1935) - onde sua interpretação foi aclamada-. Após essa série de sucessos, "Madame Walewska" foi o primeiro filme de Garbo a perder dinheiro à MGM. Visando mudar a imagem da atriz, os executivos do estúdio decidiram colocá-la em uma comédia, "Ninotchka", dessa vez sob o slogan "Garbo ri!", fazendo referência aos vários papéis melodramáticos que ela fez antes. A comédia foi bem sucedida com crítica e público nos Estados Unidos e no exterior, mas foi banida na União Soviética por retratar de forma negativa o regime de Joseph Stálin, tendo sido o primeiro filme hollywoodiano a fazê-lo. A década de 40 começou com o maior fracasso da atriz, a comédia romântica "Duas Vezes Meu!" (1941), a qual atriz chamaria depois de "minha sepultura". Apesar do insucesso do filme ter sido atribuído como determinante para a aposentadoria da atriz, ela não pensou em se aposentar logo após e aceitou outros projetos durante a década de 40, mas eles ou não iam para frente ou ela os abandonava; ela nunca mais apareceria em um filme apesar de continuar aceitando trabalhos periodicamente que depois abandonava. Quatro anos antes de sua morte em 1990, a atriz revelou que o motivo de sua aposentadoria foi por simplesmente não gostar de sua vida em Hollywood. 



Gary Cooper


  Gary Cooper, assim como Greta Garbo chegou à década de 30 já como um nome conhecido, apesar de ter se tornando um apenas em 1929 com o seu primeiro filme falado "The Virginian". Cooper serviu como um modelo de masculinidade americana por seus papéis que simbolizavam integridade e honestidade como em "O Galante Mr. Deeds" (1936), "Adorável Vagabundo" (1941) e "Sargento York", o último onde interpretou um personagem da vida real e ganhou um Oscar pelo trabalho. Cooper também foi um símbolo de beleza masculina recebendo muitas cartas de fãs mulheres desde o começo de sua popularidade no final dos anos 20. Com a nova fama do ator, ele apareceu em sete filmes no ano de 1930 e a continuidade desse sucesso entre o público o deu o poder de barganha de conseguir um salário semanal de $ 8.000 no seu estúdio, Paramount, além de também ter assinado um contrato de seis filmes com Samuel Goldwyn com garantia de $ 150.000 por filme; o tesouro americano revelou então que com ganhos de $482.819 (equivalente a $ 8.7 milhões atualmente), Cooper era o homem com maior salário no país. 





     
Bette Davis



    Bette Davis chegou em Hollywood exatamente no ano de 1930 após ter estreado na Broadway e ter aparecido em duas peças de sucesso no ano de 1929. Sua aparência que não se parecia com o que as estrelas de cinema remetiam às pessoas e causou rejeições por parte dos estúdios durante as suas primeiras tentativas de entrar na indústria cinematográfica. Porém, seus olhos marcantes a ganharam um contrato com a Universal, onde apareceu em dois filmes que não a trouxe nenhum reconhecimento antes do fim do seu contrato e a sua ida à Warner Bros., onde trabalharia durante as duas décadas seguintes. "Escravos do Desejo", lançado em 1934, foi o veículo que mostrou a grande atriz que Davis era. Após essa papel, a atriz acreditava que o seu estúdio lhe daria outros tão bons quanto, mas isso não aconteceu e decepcionada com os rumos da carreira Davis tentou processar o seu estúdio para sair do seu contrato e perdeu. Ainda assim ela voltou aos trabalho e em 1938 fez um dos seus papéis mais marcantes em "Jezebel" (1938), o que a tornou uma favorita do público para o papel de Scarlett O'Hara em "...E o Vento Levou" (1939) que ainda não tinha atriz escolhida. Ela não ganhou o papel, mas teve muito sucesso em 1939 com "Vitória Amarga", "The Old Maid", e "Meu Reino por um Amor", todos sucessos de bilheteria. Nesse ponto, Davis já era uma das atrizes mais rentáveis do seu estúdio e mais populares no país, situação que ainda permaneceu por muitos anos após o fim da década que primeiro lhe trouxe prestígio.



Marlene Dietrich



  Marlene Dietrich nasceu Marie Magdalene na Alemanha e deu a si mesma o nome Marlene combinando seu apelido "Lene" com a primeira sílaba do seu primeiro nome, provavelmente enquanto sonhava em ser violinista até uma lesão no pulso acabar com o seu futuro de instrumentista. Dietrich não desistiu das artes e começou a aparecer nos palcos berlinenses em espetáculos de estilo vaudeville. Sua ambição foi na direção da atuação, sendo o seu primeiro crédito cinematográfico datado de 1923, outros trabalhos em cinema e teatro seguiram ainda na cena alemã durante os anos 20. O primeiro passo para uma carreira internacional veio em 1929, aparecendo em "O Anjo Azul" do diretor Josef von Sternberg - a produção alemã teve sucesso internacional levando a atriz e o diretor para o estúdio Paramount, em Hollywood, que havia distribuído o filme nos Estados Unidos. Sua introdução ao cinema americano já foi em grande estilo aparecendo em "Marrocos" (1930), onde em uma cena controversa canta vestindo um smoking e beija uma mulher, apesar disso, o filme foi popular e ela ganhou sua única indicação ao Oscar pelo papel. A carreira de Dietrich continuou nos Estados Unidos em parceria com von Sternberg, produzindo os melhores nas carreiras de ambos até 1935, quando o diretor foi demitido da Paramount. A imagem de Dietrich capturada por von Sternberg se tornou marcante pela forma como o diretor conseguia usar jogo de luzes para acentuar os traços e as expressões faciais da atriz; a beleza e sensualidade "exóticas" da alemã - que foi a resposta da Paramount para o sucesso de Greta Garbo na MGM -  também a caracteriza como uma estrela com apelo a homens e mulheres, que queriam tê-la ou imitá-la. Após o fim da parceria com von Sternberg, Dietrich colocou em prática seus talentos cômicos em "Desejo" (1936) com Gary Cooper, que apesar na mudança de gênero também fez sucesso de público. Entretanto, seus filmes seguintes não fizeram tanto sucesso quanto os antecessores e a atriz entrou em uma lista dos donos de cinema como "veneno de bilheteria", junto a outros tantos atores famosos, alguns que se recuperariam e outros que não. A atriz não teve seu contrato com a Paramount renovado, mas ainda contou com popularidade principalmente tendo se envolvido nos esforços da Segunda Guerra Mundial durante os anos seguintes, aparecendo em turnês para entreter as tropas aliadas. Ela confessou mais tarde que oficiais do partido nazista queriam que ela voltasse para Alemanha a fim de se tornar uma grande estrela do cinema do terceiro Reich, o que ela recusou obtendo a cidadania americana depois - boatos dizem que Hitler havia sido um grande fã dela até ela passar a defender as forças aliadas. Após a guerra, Dietrich fez poucas aparições no cinema e passou a ser dedicar a uma carreira como cantora, tendo seu próprio show em Las Vegas durante a década de 50. 




Clark Gable



  "O Rei de Hollywood", Clark Gable, foi figurante em filmes mudos durante os anos 20 após atuar em algumas peças, para onde voltou após não conseguir papéis no cinema. Na Broadway, seu potencial como herói másculo foi reconhecido, o que o deu mais uma chance em Hollywood, para onde voltou no ano de 1930, quando a MGM lhe ofereceu um contrato. Seus papéis eram secundários e em grande parte vilões, o que não impediu que o público feminino se atraísse por ele e começasse a mandar cartas para o estúdio, que começou a lhe dar papéis principais. Eles descobriram logo que colocá-lo para fazer heróis românticos com as grandes estrelas, como Jean Harlow, rendia filmes muito lucrativos. O salto para o reconhecimento, porém, veio ao ser emprestado à Columbia para estrelar na comédia "Aconteceu Naquela Noite" (1935) com Claudette Colbert, interpretando um papel diferente dos outros onde interpretava conquistadores; segundo o diretor do filme, Frank Capra, mais parecido com a própria personalidade de Gable. Ele venceu o Oscar e "Aconteceu Naquela Noite" se tornou o primeiro filme a vencer em todas as principais categorias - Melhor Filme, Direção, Roteiro, Ator e Atriz. Voltando à MGM, Gable passou a ser protagonista inquestionável nos filmes. Ao final da década, já apelidado de "rei", conseguiu o seu papel mais famoso: o de Rhett Butler em "...E o Vento Levou", tendo sido o favorito entre os fãs do livro para o papel. A última fala de Gable como Butler se tornou uma das mais famosas da história do cinema: "Francamente, querida, eu não dou a mínima."



sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Oscar 2019: Infiltrado na Klan


  A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas apresentou ao público os indicados à 90ª edição da sua premiação - o Oscar - no último dia 22. Entre os indicados a Melhor Filme - e às categorias de Melhor Diretor (Spike Lee), Melhor Ator Coadjuvante (Adam Driver), Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Trilha Sonora Original e Melhor Edição -, "Infiltrado na Klan" é o meu favorito. 
  O que também não significa que não haja grande qualidade técnica e artística em "Roma", o favorito para levar o prêmio de Melhor Filme e seu idealizador, Alfonso Cuarón, o de Melhor Diretor. Ou que "Nasce Uma Estrela" não seja um filme emocionante com uma música original já icônica e muito menos que "Pantera Negra" não seja um dos melhores filmes de super-herói de todos os tempos e um marco para a diversidade no cinema. 
  "Infiltrado na Klan" é mais uma obra do prestigiado diretor Spike Lee, de filmes como "Faça a Coisa Certa" (1989), "Ela quer tudo" (1986) e "Malcolm X" (1992), que surpreendentemente acaba de receber sua primeira indicação como diretor no Oscar. Apesar disso, não faltam homenagens aos trabalhos do diretor em sua carreira - "Infiltrado na Klan" estreou no Festival de Cannes do ano passado, vencendo o Grande Prêmio (apesar do nome é o segundo prêmio mais importante do festival, atrás da Palma de Ouro). 



  Baseado no livro "Black Klansman" de Ron Stallworth, o filme conta a história real vivida pelo seu autor, papel de John David Washington. Nele, Stallworth, como o primeiro policial negro na cidade de Colorado Springs, desenvolve um plano para a polícia se infiltrar no Ku Klux Klan (KKK), o histórico grupo racista dos Estados Unidos. Com a ajuda de um policial branco, interpretado por Adam Driver, se passando por um supremacista branco filiado ao KKK, a operação chega até o grande líder do grupo na época, David Duke, e faz importantes revelações a respeito das atividades da organização.
  Com a presença da personagem de uma ativista negra interpretada por Laura Harrier, o filme apresenta os grupos extremos: os supremacistas brancos e os que lutavam por direitos iguais; um retrato atemporal de uma história que se passa nos anos 70, mas poderia ser atualmente, na década de 50 ou no século XIX. A sociedade americana no filme acaba de sair do auge do Movimento dos Direitos Civis - com presença ainda dos panteras negras e de ícones como Angela Davis no entanto - onde o KKK renasce como resposta e um momento de polarização com essas ações e reações é instaurado. A linguagem já conhecida de Spike Lee vem como instrumento ideal para contar essa história, no momento certo, trazendo seu humor ácido, sem banalizar a discussão do tema seu tema principal, o racismo. Decididamente, o ponto alto do filme é a cena em que uma reunião do KKK é intercalada com cenas de um encontro de estudantes negros que ouvem um homem idoso (participação de Harry Belafonte) contar o caso de um garota negro que foi torturado e assassinado. Essa cena confronta o espectador quanto a que lado ele quer estar. Aí então, no final do filme, Spike Lee nos apresenta imagens reais dos recentes movimentos neonazistas nos Estados Unidos e o Black Lives Matter (lutam contra o racismo institucional, principalmente a brutalidade policial), como a prova viva da atemporalidade dos conflitos apresentados ali. 


  
  
    Apesar de não ser o favorito da cerimônia, "Infiltrado na Klan" é um dos filmes mais interessantes nessa temporada de premiações, em um momento onde a Academia finalmente está dando o reconhecimento merecido a Spike Lee, de forma atrasada mas ao menos tempo em um momento oportuno. Há três anos eu escrevi nesse blog nessa mesma época sobre a hashtag #OscarsSoWhite e esse ano tivemos "Infiltrado na Klan", "Pantera Negra" e "Podres de Rico", com representatividade que não se imaginava antes. Isso, porém, não é tudo, não pode ser, o caminho é logo e esse é só o começo. 
  


    
  

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Maiores estrelas do cinema por década: anos 20



  A década de 1920 é um dos períodos mais referenciados culturalmente, as melindrosas, o corte bob, o jazz...A década ficou conhecida "Roaring Twenties" ou "Loucos Anos 20". Vários países do mundo viviam o êxtase do fim da Primeira Guerra Mundial e com a esperança de paz. Em Hollywood, foi uma época decisiva - no ano de 1927 o primeiro filme falado é lançado, "O Cantor de Jazz", mudando a indústria cinematograficamente mais rapidamente do que qualquer mudança tecnológica de antes ou que viria depois. Com isso, muitas estrelas que colheram sucesso no cinema mudo durante os anos 1910 e o começo dos anos 20 tiveram suas carreiras acabadas quando os estúdios não as julgaram adequadas para a nova forma de atuar no cinema, ou seus primeiros filmes falados não seguiram o sucesso de seus trabalhos da era do cinema mudo. Ainda assim, alguns atores e atrizes conseguiram superar a mudança e outros floresceram com ela; em tudo, a década de 20 foi mais uma em que o poder do cinema e de suas estrelas cresceram.

Clara Bow


  Clara Bow fez parte da primeira geração que teve o cinema incorporado a seu estilo de vida, adolescente na época em que estrelas como Mary Pickford e Lillian Gish estavam no auge, a jovem que cresceu em enorme pobreza em Nova York, onde nasceu no ano de 1905, começou a sonhar em ser atriz de cinema muito jovem. Com desaprovação da mãe e apoio do pai, ela venceu um concurso de beleza de uma revista onde o prêmio era uma pequena participação em um filme - do qual as suas cenas acabaram sendo cortadas para a enorme decepção da atriz de então 17 anos. Ela persistiu e ao estrelar no seu primeiro filme no ano seguinte, o sucesso foi imediato - Clara, sem nunca ter estudado atuação, era hipnotizante, sua presença na tela possuía um magnatismo que foi a marca de sua carreira. O filme "It" de 1927 daria a ela o apelido de "it girl", expressão popularizada pelos anos e muito usada atualmente. Devido à sua enorme popularidade, Clara conseguiu transitar com sucesso para os filmes falados; apesar disso, ela se aposentou em 1932, um anos após ter se casado e foi morar em um rancho. Ela interrompeu a sua aposentadoria e assinou um contrato para mais dois filmes quando o dinheiro faltou, após o lançamento do último deles em 1933, ela não fez mais nenhum filme. 
   

Buster Keaton




  Buster Keaton nasceu no ano de 1895 filho de artistas de vaudeville, o que o levou aos palcos aos três anos de idade. Aos 22 anos conheceu o comediante Roscoe "Fatty" Arbuckle, que na época trabalhava nos estúdios Talmadge; após tantos anos em vaudeville, Keaton não levava o cinema muito a sério, mas pediu uma câmera emprestado a Arbuckle para ver como era. O que aconteceu em seguida foi uma das melhores décadas de um ator de cinema; durante os anos 20, Buster Keaton produziu vários filmes de forma independente ganhando popularidade e prestígio entre críticos que o consideram até hoje um dos melhores comediantes das telonas de todos os tempos. Sua marca registrada era a sua "cara de pedra" - uma expressão facial que não mostrava nenhuma emoção. Se falava de uma rivalidade com Chaplin, o que levou o inglês a convidá-lo a fazer uma participação no seu filme "Luzes da Ribalta" (1952) quando os dois já tinham mais de 50 anos e Keaton voltava a participar de filmes depois do ostracismo da década de 40 - decorrente da escolha de assinar com os estúdios MGM, o que baixou a qualidade de seus filmes e papéis. Nesse mesmo período de retorno, ele também teve uma pequena participação em "Crepúsculo dos Deuses" (1951), como ele mesmo.


Rudolph Valentino


Rudolph Valentino foi o primeiro astro de Hollywood a ter uma legião de seguidoras. O italiano foi morar nos Estados Unidos aos 18 anos por não conseguir encontrar emprego em sua terra natal. Após se estabelecer como professor de dança de Nova York, teve problemas devido a um suposto caso com uma mulher casada que resultou em sua prisão (provocada pelo influente marido da mulher) e por ela ter assassinado o marido após, o que fez Valentino deixar Nova York para evitar testemunhar em um julgamento midiático. Na Califórnia ele conheceu o ator Norman Kerry, que o aconselhou a tentar uma carreira no cinema. No começo de sua carreira cinematográfica, o ator ficou relegado a personagens vilanescos; o maior galã da época era Wallace Reid com sua aparência de típico homem americano. Aos poucos Valentino conseguiu seu espaço, principalmente com a ajuda da roteirista June Mathis, que escreveu muitos dos seus filmes. O ator italiano ainda interpretou muitos personagens hispânicos e árabes com características grosseiras, o que não impediu o crescimento de sua popularidade. Com a sua celebridade, Valentino conquistou o público feminino americano, mas continuava sendo um tipo que os homens não queriam imitar (apesar de acabarem copiando as tendências que o astro italiano lançou como o cabelo puxado para trás com gel).
Entretanto, tudo acabou repentinamente quando no ano de 1926, Valentino aos 31 anos teve uma ulcera e após cirurgiado uma peritonite, provocando a sua morte inesperada. As fãs ficaram arrasadas, até houve relatos de suicídios e seu velório atraiu uma multidão. Ele foi um dos primeiros atores famosos do cinema a morrer ainda no seu auge.
Em sua curta carreira, Valentino fez filmes bem-sucedidos e outros nem tanto, teve de ficar longe do cinema por problemas com o seu estúdio - Famous Players-Laky, precursor da Paramount -, mas ainda assim é um dos atores do cinema antigo mais lembrados, com filmes retratando a sua história - o mais notável deles de 1977 com o bailarino Rudolf Nureyev interpretando Valentino - menções em obras da cultura popular e homenagens, principalmente em sua cidade natal, Catellaneta. Lá existe uma estátua do ator, um museu, uma fundação, uma escola de cinema e um prêmio de atuação, que não existe mais mas ao longo dos anos foi entregue a atores como Leonardo DiCaprio e Elizabeth Taylor.

Harold Lloyd


  Harold Lloyd, junto a Charlie Chaplin, Buster Keaton e a dupla Laurel e Hardy (O gordo e o magro na versão brasileira) era um dos atores cômicos mais famosos do cinema nos anos 20. Ele é lembrado pelo personagem que criou, um homem de óculos e chapéu sempre esforçado, o que representava o sentimento dos americanos naquela década. Lloyd, no entanto, não começou no cinema nos anos 20, mas na década anterior com um personagem muito similar ao Carlitos de Chaplin e outros personagens cômicos da época. Foi na década de 20 que seu personagem famoso estreou no cinema. Hoje, a figura de Lloyd é associada principalmente às manobras arriscadas que fazia nos filmes, muitos feitas sem dublê. O ator inclusive sofreu um acidente em 1919 enquanto fotograva fotos promocionais, com a explosão de uma bomba cinematográfica enquanto tentava usá-la para acender um cigarro; ele perdeu dois dedos, teve queimaduras graves no rosto e no peito, mas manteve a visão e conseguiu continuara  fazer filmes com ajuda de uma luva. Seus filmes eram muito bem-sucedidos, o que o tornou uma das pessoas mais ricas em Hollywood na época e ele chegou a ter seu próprio estúdio (o qual ele teve que vender em 1937 quando seu sucesso diminuía, levando-o a se aposentar na década de 40). Lloyd foi redescoberto na década de 60 e após a sua morte em 1971, teve seus filmes vendidos e adaptados para a televisão, suas obras cativam o público até hoje. 

Louise Brooks




  Louise Brooks é uma das atrizes dos anos 20 que melhor representa e cuja imagem é mais associada à da melindrosa. Junto a Colleen Moore, a atriz ajudou a popularizar o penteado conhecido como corte "bob". Ela começou a aparecer em filmes com papéis pequenos em 1925 e logo prosseguiu para papéis maiores, mas acabou deixando o seu estúdio, Paramount, por não ter recebido um aumento salarial prometido ainda no final da mesma década, uma escolha que anos depois seria vista como imprescindível para a marca que sua carreira deixaria no cinema. Nos anos de 1929 e 1930 ela fez os seus filmes mais famosos na Europa, participando de filmes expressionistas alemães como "A Caixa de Pandora", "Diary of a Lost Girl" ("Tagebuch einer Verlorenen" no título original, sem versão brasileira) e "Miss Europe" filmado na França. Neste período, Paramount tentou persuadi-la a voltar para Hollywood para fazer filmes falados (ela tinha feito um no mesmo estúdio antes de partir para a Europa), mas a atriz não se convenceu, o que a colocou na lista negra do cinema americano. Com sua volta para Hollywood em 1931, os papéis eram escassos e após ter rejeitado um papel principal para ir a Nova York visitar uma amante, sua carreira acabou de vez. Ela se aposentou poucos anos depois e até tentou uma volta em 1936, o que não a levou a mais filmes. Como outros grandes atores de sua época, foi redescoberta décadas depois e escreveu um livro de memórias três ano ano antes de sua morte em 1982. Ela disse durante toda a sua vida que odiava Hollywood. 


Gloria Swanson


  "Estou preparada para o meu close", é a fala que mais marcou Gloria Swanson, assim como a personagem que a proferiu, Norma Desmond em "Crepúsculo dos Deuses" (1950), considerado um dos melhores filmes de todos os tempos. É fácil esquecer que 20 anos antes, a atriz foi tão bem-sucedida quanto a sua personagem havia sido em "Crepúsculo dos Deuses". Swanson, diferente de muitas atrizes do cinema, não sonhava em estar nas telonas em sua infância e adolescência, mas estreou logo cedo quando visitou os Estúdios Essanay em Chicago com uma tia e ganhou um papel como figurante, o que levou a mais participações como figurante. Ela decidiu, com apenas 17 anos em 1916, se mudar para a Califórnia, onde começou a trabalhar com Mack Sennett nos Estúdios Keystone. Lá ela primeiro encontrou popularidade contracenando com o ator cômico Bobby Vernon. Em 1919, assinou um contrato com a Paramount, onde começou a trabalhar com Cecil B. DeMille em uma parceria que seria muito bem-sucedida. Sendo assim, já no começo dos anos 20, ela se tornou uma das atrizes mais requisitadas e populares, a ponto de ser recebida de volta nos Estados Unidos com uma grande parada quando voltava de uma breve residência na França após o seu casamento com um marquês em 1925.
  Sendo muito valiosa para o seu estúdio, a atriz recusou uma oferta de um milhão de dólares por ano da Paramount (equivalente a 13 milhões de dólares atualmente) para integrar o recém-formado United Artists, fundado por um grupo de profissionais da indústria cinematográfica que incluía Charlie Chaplin. Lá ela passou a ter liberdade para escolher os temas do seus próprios filmes e com quem trabalhar. O primeiro filme produzido por ela mesma passou por dificuldades na sua produção e não foi bem-sucedido, porém o segundo, "Sadie Thompson" (1928), se tornaria o seu filme mudo mais famoso. Ele também não foi feito de forma tranquila, baseado em um conto chamado "Rain" do escritor W. Somerset Maugham, o enredo era considerado polêmico por se tratar de uma missionário que conhece uma prostituta na ilha da Samoa Americana e tenta "resgatá-la" com um desfecho trágico. Um primeiro anúncio sobre o filme em um jornal causou revolta, apesar disso, o filme foi feito e estreou com enorme sucesso de público e crítica. Após esse êxito, Swanson permaneceu em destaque com alguns filmes falados, mas durante a década de 30 deixou de estar em voga, ela partiu para o então novo meio da TV e só voltou a brilhar nas telonas com a lendária Norma Desmond.